As empresas SMP&B Comunicação e Graffiti Participações, que têm Marcos Valério como sócio, entraram na Justiça para cobrar do PT os supostos empréstimos bancários de R$ 55,9 milhões feitos a pedido do partido nos bancos Rural e BMG. Incluindo juros e correção, Valério quer receber R$ 100,082 milhões.
Além das ações movidas por meio das empresas, o publicitário mineiro protocolou na Justiça uma ação em caráter pessoal. Pede que o PT seja citado para pagar, em 15 dias, a quantia de R$ 500.769,00. O valor refere-se à parcela que Valério teria quitado (R$ 351,508 mil, mais juros e correção) do empréstimo de R$ 2,4 milhões concedido pelo BMG diretamente ao PT, com o aval do empresário.
Segundo o advogado Rodolfo Gropen, autor das ações, a SMP&B e a Graffiti estão sendo acionadas pelo Banco Rural e pelo BMG no foro de Belo Horizonte. Os dois bancos cobram o pagamento dos empréstimos. "Meus clientes não têm patrimônio para liquidar as dívidas sem receber do Partido dos Trabalhadores", disse.
Os supostos empréstimos foram feitos entre 21 de fevereiro de 2003 a 1 de outubro de 2004. Curioso que só agora, em 2005, os bancos e Valério estejam cobrando a dívida. O advogado de Valério sustenta nas ações que os créditos foram pleiteados nas casas bancárias a pedido do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
Responsável pela investigação dos repasses financeiros das empresas de Valério ao PT, a CPI dos Correios trabalha com a hipótese de que tais empréstimos bancários são operações de fachada. Serviriam para encobrir negócios ilícitos das agências de Valério com o governo, por meio dos quais o caixa dois do PT teria sido irrigado.