A despeito do discurso que tem sustentado quando trata com a população mais carente do Maranhão - de que o Estado está quebrado e que a situação é de falência - o governador José Reinaldo vem demonstrando, ao longo de todo seu governo que tudo, na verdade, não passa de mera retórica.
O discurso da falência foi mantido para justificar a traição aos professores, com a prorrogação do cancelamento da promoção e progressão do interstício da classe; o golpe nos alunos do curso de formação de soldados da Polícia Militar, que tiveram suas gratificações cortadas em 95 por cento; e a veemente negativa de aumentar o salário mínimo no Estado para os R$ 300 nacionais, ou, pelo menos, pagar os R$ 20 de abono.
De outro lado, José Reinaldo promove uma verdadeira farra. Os aliados são agraciados, todos os dias, segundo o que se percebe facilmente analisando as edições do Diário Oficial, com montanhas de dinheiro em convênios absurdos.
Tudo isso, porque, na realidade, o que houve nos últimos anos foi o aumento da arrecadação estadual - comprovado pela forma indiscriminada como o Governo distribui créditos suplementares para o grupo. E isso é amplamente divulgado pelos jornais pagos pelo governador, sem nenhuma vergonha do povo, que continua clamando por recursos que obras e ações em seu benefício.
Interesses escusos
Como os interesses escusos de José Reinaldo são, única e exclusivamente, garantir apoio para a sua frente nas eleições de 2006 e beneficiar deputados aliados do grupo para continuar barrando o iminente processo de impeachment na Assembléia, nenhuma das reivindicações populares têm sido atendidas.
Na edição de 11 de dezembro, Veja Agora já denunciava o que se convencionou chamar de "farra da suplementação", anunciando a liberação de mais de R$ 131 milhões para a Casa Civil, a Assembléia Legislativa, dentre outras instituições e pastas.
Mas a farra não parou por aí. No D. O. de 30 de dezembro, outra prova da bandalheira. O governador liberou, através de mais créditos suplementares, nada menos que R$ 206.426.653,00.
O que mais intriga é a coincidência da liberação com o esquema, denunciado constantemente por este matutino, envolvendo a Saúde. Só para o Fundo Estadual de Saúde foram quase R$ 62 milhões. A Secretaria de Planejamento também foi bastante beneficiada: recebeu mais de R$ 60 milhões.
Nesta edição, publicamos quadro detalhado de quais pastas foram beneficiadas com os novos créditos.