Um dia depois de divulgado o relatório da CPI que reforça a tese do "mensalão", o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), que presidirá a votação dos processos de cassação dos envolvidos, disse não acreditar que parlamentares receberam recursos para votar com o governo.
Ex-líder do governo na Câmara e ex-ministro da Coordenação Política, ele disse que a tese, defendida pela CPI, "não se sustenta". Aldo afirmou que acredita no argumento exposto por deputados envolvidos de que o dinheiro pagaria dívidas de caixa dois de campanhas eleitorais.
"Não acredito que os parlamentares tenham recebido dinheiro para votar matérias a favor ou contra o governo. Essa convicção eu tenho até hoje", afirmou o presidente da Casa. Aldo disse ainda que a tese do "mensalão" não está provada em nenhum lugar. Mesmo assim, disse considerar crime a prática de caixa dois. "O caixa dois é crime. Eu não preciso dizer isso", declarou.
No entanto, o deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), que admitiu ter recebido recursos das contas de Marcos Valério Fernandes de Souza, foi absolvido no plenário da Câmara. Aldo disse, porém, que o julgamento na Casa é mais rápido e mais rigoroso que processos no Judiciário.
Em resposta, o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), sub-relator da CPI dos Correios, disse que o presidente se comportou como aliado do governo ao defender a tese de que não houve mensalão.
"Eu acho que depois do trabalho apresentado ontem, qualquer político que tiver juízo vai rever sua posição. É evidente que a declaração está eivada de conotação política e demonstra uma defesa ao governo", afirmou. "Ele está assumindo uma postura muito mais de aliado do governo. Somente os que querem se enganar defendem que não houve mensalão. O pior cego é aquele que pode e não quer enxergar".
Na quarta-feira o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), divulgou uma prestação de contas em que reafirma a existência do "mensalão", que seria um pagamento para atender a necessidades de deputados e partidos. No documento, que foi aplaudido no plenário da CPI, Serraglio afirma que tinha convicção da existência do "mensalão".