A verdade dói
Não falem a verdade sobre as eleições de 2002 para o governador José Reinaldo. Ele não suporta ouvir - e isso tem sido confirmado até pelos seus aliados mais próximos -, que sua eleição só foi possível graças ao apoio de José Sarney e a estrondosa popularidade de Roseana.
De técnico razoável a político obscuro e medíocre, José Reinaldo foi vice-governador de Roseana numa deferência especial da atual senadora, que queria premia-lo pela sua fidelidade canina ao grupo. Quando foi escolhido pelo PFL para concorrer à sucessão de Roseana, José Reinaldo tinha míseros dois por cento das intenções de votos do eleitorado maranhense. Só recebeu a bênção do partido porque o grupo ligado à governadora sabia que bastaria o prestígio da governadora para acontecer a reviravolta nas pesquisas e José Reinaldo se salvaria.
Foi um esforço supremo tirá-lo das sombras e projetá-lo como candidato. Para isso, a governadora saiu com José Reinaldo à tira-colo, apresentando-o a lideranças políticas, levando-o aos braços do povo e cacifando-o a virar o jogo. Foi duro. O governador teve pouco mais de meio por cento dos votos necessários para ganhar já no primeiro turno. Mas, enfim, graças a Roseana e Ricardo Murad, venceu. Hoje, ele não quer nem ouvir falar disso. É que a verdade dói.
Nada contra I
Ontem, Veja Agora publicou matéria denunciando a farra com o dinheiro público. Revelamos os repasses feitos para a compra de material de consumo para a prefeitura de Caxias e para a compra de duas ambulâncias para o Corpo de Bombeiros. Tudo, dinheiro da saúde, desviado de sua finalidade final que é a compra de medicamentos e equipamentos para hospitais públicos que vivem a mingua.
Nada contra II
Não somos contra que o Corpo de Bombeiros seja equipado e reconhecemos o sacrificante e heróico trabalho da corporação. Entretanto, os recursos para a compra de ambulância para os serviços do CB deveriam vir do orçamento próprio da corporação e não desviados de sua finalidade, ainda que se destinem ao salvamento de vidas.
O passado?
O deputado Julião Amin quer revirar o passado e criar uma CPI para investigar a corrupção. Não precisa ir muito longe. Basta folhear as últimas 134 edições de Veja Agora e vai encontrar um bem fornido dossiê de um governante corrupto, que atende pela alcunha de Zé Noel e é o principal líder espiritual, político e comercial do próprio Julião.
Nova paulada
Ninguém duvida que, a exemplo do que já aconteceu em outras duas ocasiões, o Supremo Tribunal Federal vá derrubar a esdrúxula lei do ferrolho, que, na prática, cassa o mandato do vice-governador do Estado. Só para lembrar, a lei, como disse a deputada Teresa Murad, foi aprovada para satisfazer um capricho pessoal de Alexandra Miguel.
Plano no futuro
Vice-presidente nacional da Caixa Econômica Federal, o economista maranhense Carlos Borges disse que pode vir a ser candidato a algum mandato eletivo, desde que seja um projeto da cúpula do PT, com que ele está afinadíssimo. Carlos Borges almoçou na última sexta-feira com o juiz federal Flávio Dino, também ele candidatíssimo ao Governo do Estado pelo PT.
Mui amigo
Na festa de confraternização da Cemar com a imprensa, o dono do JP, Lourival Peta Bogéa chegou atrasado e sentou-se à mesma mesa em que se encontrava o figurinista e colunista social Chico Coimbra. Horas depois, Dr. Peta publicou que Coimbra estava à cata da agenda de "táxi boys" do Padre Felix. Se ele faz assim com os amigos...
Governite
Com medo de enfrentar a imprensa independente, José Reinaldo vive enfurnado na mansão do Calhau. É lá que dá as "entrevistas coletivas" para a Secom e é lá que preside todas as solenidades das quais não pode se furtar a participar. Depois da hepatite, Zé Noel sofre de "governite".
Contagem regressiva
Faltam poucos mais de dez meses para a eleição do próximo ano. E Alexandra Miguel, vai ou não vai a Cancun?