CHUVA DESMASCARA TADEU E JOSÉ REINALDO
PRIMEIRAS CHUVAS CAUSAM TRANSTORNOS EM SÃO LUÍS
CAOS
Bastou uma chuva, que começou nas primeiras horas da madrugada e perdurou por toda a manhã de ontem, para que os sinais da incompetência do prefeito Tadeu Palácio e do governador José Reinaldo ficassem mais evidentes. Em vários pontos de São Luís o cenário era desolador: lixo boiando, esgotos estourados, lama e muita sujeira que causaram transtornos e indignação na população.
Sair de casa foi um desafio. A água que se acumulava nas ruas e avenidas da cidade obrigava os moradores a molharem os pés na água de chuva que se misturava à sujeira dos esgotos e ao lixo que se avolumava nos lugares onde a coleta da prefeitura não havia passado.
As falhas na sinalização também deixaram seus rastros. Na Alemanha e no São Francisco, os semáforos nas principais avenidas do bairro (Avenida dos Franceses e Castelo Branco) precisaram de revisões às pressas. Em função do problema na sinalização, na Avenida Castelo Branco três carros se chocaram no retorno.
Quem depende de ônibus teve dois problemas. Um era a falta de abrigo em algumas paradas e outros eram as poças d'água que se formaram na frente dos pontos e que, quando um veículo passava, molhava todos os passageiros. Em algumas paradas era possível encontrar pessoas em cima dos bancos para não se molharem.
Na Avenida Vitorino Freire, na Areinha, em frente a Justiça Federal, um passageiro esperava o ônibus longe da parada por causa da lagoa que se formou na avenida. Noutro ponto mais à frente, outra lagoa de água da chuva se formou na avenida principal em frente ao Banco do Brasil. O canteiro Central ficou semelhante a piscinas e as pessoas atravessavam pelas bordas das calçadas, gerando uma situação propícia para acidentes.
Caos nos bairros
Na Rua São Sebastião, no bairro do Coroado, a situação era caótica. O esgoto que corre por galerias nas bordas das calçadas, em muitos lugares se encontra descoberto. Com a chuva, as galerias transbordaram, transformando a rua em uma grande poça d'água.
Justino Baldez disse que dessa vez a chuva foi fraca, só inundou a rua. Logo cedo o morador, assim como todos os outros, precisou varrer a frente da casa porque a chuva espalhava todo o lixo que se acumulava nas portas.
Vicente Férrer dos Santos conta que, para piorar, a rua não tem saída e os moradores passam por um beco, chamado de 2ª travessa São Sebastião, ou são obrigados a atravessar a rua toda com a água no joelho.
Se nas ruas a situação é desse jeito, quem mora próximo as valas reza para que a chuva seja fraca. A chamada Rua da Vala, no Barreto, é um exemplo. Gilmar Alves conta que toda vez que chove ela transborda e quem mora de um lado e do outro da rua tem as casas invadidas pela sujeira e pelo lixo que são depositados no córrego.
Na Estrada da Maioba, a situação é ainda mais complicada. Nos vários trechos sem pavimentação, os inúmeros buracos viraram poças que complicam a vida dos motoristas, levando sérios riscos de acidentes para os que se arriscam a transitar pelo local.
Dos dois lados da estrada, a água empoça, o que pode provocar a derrapagem de veículos, além de causar transtornos aos pedestres, impossibilitados de andar à margem da via e que têm que disputar o espaço com os buracos, o imenso lamaçal e os carros que trafegam por ali.
Centro também sofre
O caos não está apenas nos bairros. No centro da cidade, mais precisamente no Mercado Central, as ruas pareciam rios. A Rua Antonio Rayol, que recebe toda a água que escoa das transversais, estava coberta. Os pontos mais críticos eram o cruzamento com a Rua da Inveja e com a Rua Regente Bráulio, onde um esgoto jorra sujeira há duas semanas. Nesses cruzamentos as pessoas atravessavam com dificuldade.
Por falta de abrigo nos pontos de ônibus, os passageiros buscavam proteção nas marquises das lojas ou nas vendas de rua. A professora Conceição Ribeiro utilizava a coberta do carrinho de cachorro-quente para se proteger da chuva. Indignada com a situação, ela reclamava do descaso do local. "É água de rato e esgoto, isso causa problema de saúde", disse.
O rapaz dono do lanche não quis se pronunciar porque da última vez que ele e outros vendedores ambulantes reclamaram na imprensa, a prefeitura, representada pelos fiscais da Semthurb, mandou retirá-los. Depois de muita insistência, as partes entraram num acordo. Por isso ele prefere não ser identificado. Mesmo assim, o rapaz ainda deixou escapar algumas queixas quanto à sujeira e à quantidade de fezes e ratos na água.
Trabalho pós-chuva
Na Vila Passos, na Rua 21 de Abril, o lixo e a terra espalhados por todo lado e acumulados nas valas denunciam que mesmo uma chuva fraca inunda o local. "Dessa vez não deu para entrar nas casas, mas se chover dois dias, ou pelo menos um dia inteiro, o caos se instala", disse Kátia Martins.
Kátia e outros moradores estavam limpando as portas das suas casas que estavam abarrotadas do lixo que estava na calçada esperando a coleta, que só os recolhe em dias alternados. Nessa mesma rua, há uns meses os moradores estavam fazendo tampas para as galerias na tentativa de diminuir a quantidade de lixo que as entupia.
Obra de Tadeu não avança
No Itaqui-Bacanga, a obra de Tadeu que começou atrasada agora, provavelmente, vai parar por causa da chuva. Raimundo Prazeres reclamou que cada dia a obra parece estar deixando tudo pior. Com a obstrução do canal de escoamento da água, a chuva deve deixar a rua inundada.
Vanessa Sousa disse que até as vésperas do Natal o trator estava trabalhando no local. De lá para cá, só os operários transitam de um lado para o outro. Os moradores é que fiscalizam a obra, porque os operários estão vendendo os materiais.
Na Rua do Poço, onde Vanessa mora, a previsão para que a obra comece no dia 02 de janeiro. Lá, o esgoto também transborda e invade as casas. "Só não aconteceu hoje porque a chuva foi fraca", disse.
Rodrigo Santos se preocupa principalmente com as pessoas idosas porque já viu muito velhinho se machucar quando escorrega na lama. "Aqui já não dá para passar de bicicleta, os idosos que sofrem com tanta lama. A obra de Tadeu demorou demais para começar", reclamou.