Por: Raimundo Primeiro (*)
Mais uma vez, como se estivéssemos numa das cidades do Velho Oeste americano, Imperatriz foi palco de um bárbaro crime, com a morte do advogado Valdeci Ferreira Rocha. O caso deixou atônita e em polvorosa a população da segunda maior e mais importante cidade do Estado, que já não suporta mais os altos índices de violência registrados ao longo dos últimos meses.
De acordo com informações do Sistema de Segurança Pública, só este ano foram registrados 77 homicídios, fazendo com que Imperatriz tenha um total de dois assassinatos por semana, superando São Luís. Na capital, a 620 km, num prazo de 12 dias, completados esta semana, não ocorreu nenhum assassinato. Os números preocupam, pois a ilha tem uma população estimada em cerca de 1 milhão de pessoas, e, a nossa cidade, segundo dados oficiais do IBGE, possui 250 mil habitantes.
Não obstante, chocando ainda mais a população local e numa efetiva espécie de afronta ao Sistema de Segurança, horas depois do assassinado de Valdeci Rocha, novos casos de violência aconteceram em Imperatriz, em vários pontos da cidade, fazendo com que seus moradores pedissem "socorro" aos nossos governantes. Assaltos, arrombamentos, etc, continuam sendo registrados, sobretudo, nos bairros mais distantes da área central.
Ante ao que se tem visto em Imperatriz, deixando quase que inertes os órgãos responsáveis pela promoção da segurança pública, faz-se necessário que uma tomada urgente de providência seja anunciada, principalmente por parte do Governo do Estado, colocando em prática ações reais, saindo da falácia, como está sendo ressaltado durante as últimas horas pelas ruas da cidade. Só assim, será possível expelir do meio dos cidadãos de bem, as pessoas de má índole, pré-destinadas a atos criminosos. Esse é um dos caminhos a ser seguido no sentido de garantir a tranqüilidade aos imperatrizenses.
Os números sobre a violência no Brasil são estarrecedores. Perto de 50 mil brasileiros são mortos, todos os anos, vítimas de homicídio. È pouco mais da metade dos 130 mil civis iraquianos mortos na Guerra do Golfo, em 1991. Mostram, no entanto, que o ambiente de guerra que o mundo vive hoje, se repete em miniatura em nosso país, lamentavelmente. E esta é a irrefutável realidade em que vivemos, à mercê de bandidos, de facínoras de todos os tipos. Imperatriz, mais uma vez, ganha as manchetes de jornais, radiojornais, telejornais e revistas, como uma "cidade violenta", embora a anos a sua hospitaleira comunidade atue no sentido de apagar essa pecha negativa que insiste em fazer parte do cotidiano de uma cidade que tem, no trabalho da sua gente, a certeza de dias alvissareiros, crescendo e despontando como um verdadeiro centro de desenvolvimento do país.
Os motivos para tamanha violência são os mais distintos, segundo os estudiosos. As pequenas guerras do dia-a-dia, diz o filósofo José Antônio Moroni, têm um componente cultural acentuado. Isto se reflete no tratamento entre as pessoas, mas também em questões como o desemprego, falta de apoio à terceira idade e minorias, miséria e falta de condições básicas de sobrevivência para muitos. As desigualdades sociais estão aí, fazendo parte também da vida de muitos imperatrizenses, que, diante de preocupante quadro, não vislumbram perspectivas de mudanças.
Infelizmente, um problema nacional chegou à nossa cidade em níveis alarmantes, colocando em risco toda a população, sem que ações concretas que objetivem a reversão de caótico quadro sejam executadas. Muitas autoridades, deitadas em berço esplêndido, não demonstram preocupação para com as vidas dos cidadãos, do mais simples ao abastado. Como observa o pesquisador Luís Antônio, da USP, "precisamos diminuir nossa tolerância em relação à violência, precisamos nos indignar diante das injustiças e precisamos cobrar mudanças e agir no sentido delas".
Irmanada com outras entidades e instituições, a Subseção de Imperatriz da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), está anunciando, inclusive durante entrevistas de seus diretores, ações como manifestações pelas ruas da cidade. O envolvimento da comunidade, objetivando a concretização das medidas solicitadas, é mais que imprescindível, é vital. Que nos unamos em busca de dias calmos, tranqüilos para todos nós. Chega de tanta violência. E ponto final.
(*) Raimundo Primeiro é jornalista