ExpedienteEdições AnterioresMapa do SiteFale Conosco
EDITORIALPOLÍTICACOLUNASSÃO LUÍSENTRETENIMENTOESPORTEGERALPOLÍCIA
São Luís -
Home » Edições Anteriores » Dezembro/2005 » Edição 113 » Política

Estudantes são os únicos prejudicados com a incompetência do governo


Data de Publicação: 3 de dezembro de 2005
 
Diminuir corpo de textoAumentar corpo de texto

ÍndiceTexto AnteriorPróximo Texto

GREVE JÁ DURA 95 DIAS E ALUNOS PODEM PERDER O PERÍODO

Uma boa parcela das Universidades Federais de todo o Brasil continuam sem aulas. Há mais de noventa dias, os professores paralisaram as atividades reivindicando, mais uma vez, aumento salarial e melhores condições de trabalho. A princípio, uma atitude louvável.

Entretanto, a intransigência e a falta de diálogo têm marcado o movimento, que, há quase um mês, não é discutido entre os representantes das Instituições de Ensino Superior e o Governo Federal.

Nesse caso, ninguém sai perdendo nada, a não ser os alunos. Parados e sem condição de dar seguimento aos estudos, estudantes das Federais perdem empregos, oportunidades de estágios com melhor remuneração, concursos públicos, pós-graduações e, principalmente, alguns não podem ter o orgulho de serem considerados formados.

É o caso de Sílvio Carvalho, 23. Estudante do curso de Comunicação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), ele diz que, para concluir, faltam apenas três disciplinas e a apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso. "Eu estou inscrito nas três cadeiras e tinha um planejamento pra me formar até março do ano que vem", informou. Sílvio corria contra o tempo por que planejava se inscrever, ainda em junho do ano que vem em um mestrado em São Paulo. "Mas agora já foi tudo por água abaixo", frisou decepcionado.

A decepção do estudante, bem como de muitos de seus colegas, se dá ante a iminência de que as aulas sejam retomadas apenas em janeiro de 2006. "Aí não dá pra concluir tudo até junho", explica. E denuncia: "Mas isso é a velha tática de sucateamento do ensino superior público e gratuito".

As acusações de Sílvio fazem sentido. Devido às greves praticamente anuais (foram quatro nos últimos cinco anos, com maior ou menor tempo de paralisação), muitos estudantes ponderam na hora de escolher em qual universidade querem estudar. "Numa faculdade particular, você entra e sabe quando sai", explica. "E numa pública?", questiona.

Quem ganha?

Enquanto os estudantes ficam parados, sem professores que dêem aulas, perdendo tempo e oportunidades, quem ganha com a paralisação são os grevistas e a União.

Os professores ganham porque, apesar de estarem - em sua maioria - descansando em casa, continuam recebendo salários integrais. Ou seja, estão parados, mas recebem como se estivessem batalhando. Além disso, ainda têm a possibilidade de, quando retornarem ao serviço, estarem com um polpudo aumento no contracheque.

Gozando de situação parecida encontra-se o Ministério da Educação. Apesar de estar pagando por serviço não prestado pelos funcionários, o que, em tese, poderia ser considerado prejuízo, a União não tem, por outro lado, gastos com aquisição de material, o consumo de energia elétrica e água é menor, não há alunos, portanto, diminui-se o contingente de prestadores de serviços, e ainda contribui para o descrédito da universidade pública. Parece até uma ação premedita do governo o abuso na intransigência em não negociar ainda que na Justiça com a categoria.

Desse modo, o que se percebe é a acomodação das duas partes envolvidas no problema - professores e MEC -, que cruzaram os braços e, diante da intransigência de cada um, resolveram paralisar as negociações.

Ninguém, até agora, entrou com qualquer ação na Justiça, para que haja o fim da greve nem tampouco tomou a iniciativa convocar uma retomada do diálogo.

A greve teve início em agosto. Até hoje, já são 95 dias sem aulas. Um escândalo.

BUSCA:

Página Anterior | Recomendar | Imprimir | Topo

Jornal do Povo do Maranhão - Jornal Veja Agora
Copyright 2005 - 2006 Jornal Veja Agora. Todos os direitos reservados
Rua Jorge Damous, nº 257, Caratatiua - São Luís - MA
Tel: (98) 3253-6696 Geral - 3253-6605 Comercial e Assinaturas
redacao@jornalvejaagora.com.br