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É preciso não temer


Data de Publicação: 31 de dezembro de 2005
 
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O cangaceiro Virgulino Ferreira, o Lampião, foi uma espécie de vingador e, ao mesmo tempo, ladrão reles. A história que se conta dele o mostra ora como um herói do sertão, ora como um homem violento, que estuprava mulheres e matava seus homens sem dó nem piedade. No cangaço, era respeitado e temido, mas nunca teve a complacência dos poderosos e das volantes, como eram chamadas as colunas policiais que saíam sempre em seu encalço. Lampião morreu na caatinga, sem se acorvardar e sem buscar a guarida dos coronéis de então, que ele sempre ajudou na realização de algum trabalho sujo.

O Maranhão vê renascer agora um tipo de homem violento, que, há muito, se julgava extinto, mas que apenas se escondia em alguma caverna à espera da hora de voltar a agir.

O ex-prefeito de Bacabal, José Lins Vieira, não é exatamente o estereótipo de um cangaceiro tradicional. Embora sua figura seja assustadora, ele freqüenta bons lugares e se cerca de pessoas poderosas. Dois de seus preferenciais amigos são o jornalista Lourival Bogéa, a quem, segundo revelação de Walter Rodrigues, doou um apartamento numa área valorizadíssima de São Luís.

O outro, é o próprio governador do Estado, José Reinaldo Tavares, que fez dele seu secretário extraordinário para assuntos da região do Mearim. A nomeação, também segundo Walter Rodrigues, visa a protegê-lo e dar-lhe foro especial ante a Justiça, já que pesa sobre ele a acusação de envolvimento no assassinato de três posseiros na Fazenda Comboio, em Bacabal.

Apesar da pouca instrução, Zé Vieira é um homem rico. Tem várias fazendas e financia campanhas de políticos que, depois, lhe devem favores e obediência. Um deles é o deputado estadual Elígio Almeida, eleito com o "apoio" de Zé Vieira.

Só que, como acontece sempre com os protegidos, Elígio quer andar com suas próprias pernas e não tem obedecido ao que seu chefe e mentor manda. Pronto. Isso foi o suficiente para provocar a ira e despertar a alma cangaceira que Walter Rodrigues diz que Zé Vieira tem.

A ameaça de Zé Vieira aos filhos e à mulher de Elígio Almeida, senhora Ute Almeida, traz embutida a certeza de que a proximidade do truculento ex-prefeito de Bacabal com o governador José Reinaldo está fazendo renascer o império do cangaço. E o que se teme é que, pela vida pregressa de Zé Vieira, ele venha a consumar seu intento.

Segundo os jornais locais, Zé Vieira teria telefonado para a vereadora Ute Almeida, esposa do deputado Elígio Almeida, e feito a ameaça de que ela deve ter cuidado com os filhos que ela tem para criar. Assustado com a ameaça, o deputado pegou sua família e viajou para fora do estado, não sem antes comunicar ao secretário de Segurança, Raimundo Cutrim, sobre o telefonema ameaçador.

Chega! É preciso dizer não à truculência, à covardia e ao império do medo. Zé Vieira, ao se portar como um bandido comum, assim deve ser encarado. O Maranhão precisa se insurgir contra esse tipo de gente que pensa que pode resolver tudo na bala, contratando jagunços e se utilizando do guarda-chuva de Lourival Bogéa e de José Reinaldo para ameaçar, amedrontar, coagir e impor sua vontade. O Maranhão não é um covil de bandidos sempre dispostos a tirar a vida de quem ousa divergir. É uma terra de cidadãos que repelem com veemência esse comportamento e que não aceitam mais ser subjugados por aqueles que têm a seu favor apenas as armas e a falta de respeito pelo próximo.

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