No último domingo Veja Agora publicou extensa matéria sobre mais um esquema do governo para lesar os cofres públicos, tendo como parceiro nesse novo crime a Petra Construções, que figura como uma das principais envolvidas no escândalo das estradas fantasmas. Na ocasião divulgamos que a empreiteira ganhou uma licitação para construir a rodovia ligando a MA-373 ao município de São Felix de Balsas, com 38 km de extensão. Foi aqui denunciado, também, que o conluio entre o governador e a Petra passou pela injeção de recursos que dobraram o valor inicial da obra e, mais grave, parte significativa da obra, uma ponte avaliada em mais de R$ 2 milhões havia sido retirada do projeto e licitada outra vez.
Nesta edição, Veja Agora apresenta novos indícios que demonstram os negócios suspeitos entre o governador e a Petra. A construtora Petra sacou, na boca do caixa, segundo documento do COAF, em poder de Veja Agora, na agência Gonçalves Dias da Caixa Econômica Federal, nos meses de maio e junho de 2004, na mesma época das medições feitas na estrada MA 373 - São Félix de Balsas, exatos R$ 1.350.000,00.
Com os documentos que dispomos não há mais dúvida que foi montada uma verdadeira operação para lesar os cofres do estado e, a exemplo de outros fatos já anteriormente divulgados, o governador teve participação ativa nela.
Já ficou definitivamente estabelecido que no escândalo das estradas fantasmas houve a participação do cunhado do governador, João Dominici, então secretário de Infra-estrutura que foi afastado do cargo por decisão da Justiça. Entretanto, apesar das provas irrefutáveis da existência do esquema, nunca se soube oficialmente o destino do dinheiro. A justiça não permitiu sequer a quebra do sigilo bancário de José Reinaldo e de sua mulher, Alexandra Miguel, sob a alegação que não havia provas de seu envolvimento com a roubalheira na Sinfra.
Agora, as provas estão sendo publicadas. Não há mais como argumentar que ambos devem ficar à margem do processo de investigação. Para se poder rastrear onde foi aplicado o dinheiro desviado, necessário se faz, pois, que o Ministério Público peça, com base nas provas que apresentamos aqui, a abertura do inquérito e a quebra do sigilo bancário de todos os envolvidos. E isso inclui, principalmente, o governador José Reinaldo Tavares que é quem autoriza o pagamento das faturas sem que as obras estejam concluídas. Isso é urgente e inadiável.
Mas o MP precisa ir mais longe: precisa pedir a quebra do sigilo bancário de Alexandra Tavares, da mãe e do irmão dela, Rodrigo, este considerado o seu braço direito no esquema. Há que se pedir, ainda, o fim do sigilo dos secretários Marcelo Tavares e Carlos Brandão e seus familiares, da filha do governador, Mila Tavares, dos irmãos e cunhados de José Reinaldo, e de amigos íntimos, como Ericka Braga e Nelson Piquet, entre outros. Todos, segundo é voz corrente na cidade, seriam beneficiários do esquema.
Por último, mas também tão urgente quanto os demais, é preciso pedir à Justiça que determine a quebra do sigilo bancário, telefônico e fiscal da Petra Construções e de todos seus sócios, dirigentes e funcionários graduados, pois dessa forma se poderá saber em que contas o dinheiro desviado do povo do Maranhão foi depositado.