ESCÂNDALO DA MA 373
Dinheiro pode ter sido desviado para pagamento de propina
A Petra Construções, Ltda, empresa do grupo Lourival Parente é uma das envolvidas no esquema de construção de estradas fantasmas pela Secretaria de Infra-estrutura, à época dirigida pelo cunhado do governador José Reinaldo Tavares, engenheiro João Dominici. Na edição do último domingo, dia 27 de novembro, publicamos que essa mesma empresa havia ganhado outra licitação fraudulenta na mesma Sinfra, para a construção da rodovia MA - 373 ligando o eixo da BR 230 ao município de São Felix de Balsas.
Veja Agora teve acesso a documentos que confirmam a suspeita de irregularidades na execução do contrato. Um documento do COAF comprova que a Petra fez saques elevados, em dinheiro vivo, na boca do caixa da agência Gonçalves Dias da Caixa Econômica Federal, em São Luís. Os saques coincidem com as medições de serviços feitas pelo governo na MA - 373. Pela primeira vez, desde o surgimento do escândalo das estradas fantasmas, aparecem provas indiscutíveis das relações promíscuas entre o governador José Reinaldo e o empresário Lourival Parente. Empresas se utilizam de cheques em suas transações comerciais. Saques elevados em dinheiro vivo, a exemplo do que vimos em relação ao empresário Marcos Valério, levantam suspeitas de corrupção que não podem deixar de ser apuradas. Um exemplo recente está no Congresso Nacional, que de uma simples denúncia de propina de três mil reais levou a cassação da mais importante figura do PT, o ex-deputado José Dirceu, e isso, só foi possível, porque as investigações foram em frente e sigilos bancários foram quebrados. A Petra há muito tempo, assim como a outra empresa do mesmo grupo, a LJ Construções foi responsável pelo mais escandaloso roubo de dinheiro público, que ficou conhecido como o caso das "estradas fantasmas". Com esse passado suspeito, a prova que Veja Agora trás nesta reportagem é avassaladora e suficiente para que os órgãos fiscalizadores, especialmente o Ministério Público, avance fundo na apuração da participação do governador e de sua esposa no esquema de corrupção que se instalou no governo de senhor José Reinaldo.
Um documento (doc. 1), obtido junto ao COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão de fiscalização do Governo Federal, demonstra que a Petra fez saques em dinheiro, da ordem de R$ 1.350.000,00, nessa agência da Caixa, nos meses de maio e junho de 2004, mesmo período em que foram feitas as medições de execução da obra da estrada.
A obra da MA - 373 foi paralisada e até hoje não foi retomada, sendo que pouco mais de 20 por cento dos trabalhos foram efetivamente realizados, ainda que se utilizando de artifícios condenáveis, como a redução do tamanho das galerias de esgotos, e, com a supressão do bojo do projeto, de uma ponte cuja construção constava da licitação e que depois foi retirada para ser alvo de nova licitação sem que seu preço tivesse sido abatido do valor total da obra, que nessa ocasião já tinha sido aditado e elevado para mais de R$ 10 milhões contra os R$ 7 milhões inicialmente previstos.