DENÚNCIA
Dois trabalhadores rurais maranhenses estão entre os dez mortos em conseqüência de superexploração de trabalho nas usinas de cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto (SP). A informação consta de relatório a ser divulgado amanhã, às 9h, na sede da Sociedade Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos, pela relatora nacional para o Direito Humano ao Trabalho, Cândida Costa.
A relatora esteve na região no período de 24 a 27 de outubro de 2005, para realizar missão investigativa a partir de denúncia encaminhada pela Pastoral do Migrante - Diocese de Jaboticabal, município de Guariba/SP, na qual constavam as mortes de dez trabalhadores mortos nos anos de 2004 e 2005, de causas ainda não devidamente esclarecidas.
Entre os mortos, Ivanilde Veríssimo dos Santos, 33, que teve morte súbita e Valdecy de Paiva Lima, 38, morto devido a acidente cerebral hemorrágico, ambos naturais de Codó (Ma). As mortes dos maranhenses aconteceram em 2005.
Segundo a relatora, a maioria dos trabalhadores migrantes é formada por negros e pardos oriundos dos estados da região Nordeste, com destaque para o Maranhão, Bahia, Pernambuco e Piauí, além de Minas Gerais, principalmente do Vale do Jequitinhonha. Só em duas das frentes de trabalho, que na opinião da relatora não dão a dimensão real da situação, já que são 40 mil trabalhadores migrantes, foi detectada a presença de 46 maranhenses.
Cândida ressalta as péssimas condições de trabalho oferecidas aos migrantes. "Eles trabalham de 10 a 12 horas por dia. O ônibus apanha os trabalhadores entre 4 e 5h da manhã e eles só retornam no final da tarde". Ainda de acordo com a relatora, a comida, que eles levam em marmitas, geralmente estraga ao longo do dia e a pausa para o almoço é pequena. Os alojamentos não oferecem condições adequadas e nas frentes de trabalho os migrantes não dispõem de água potável ou de condições sanitárias.