A Polícia Civil de Januária (603 km ao norte de Belo Horizonte) está à procura de um sino de 300 kg da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída na primeira metade do século 18, no distrito de Brejo do Amparo.
Ninguém percebeu o furto do sino de cobre, ocorrido em outubro. A igreja, tombada pelo patrimônio estadual em 1989, está abandonada. Localizada em local isolado e de difícil acesso, tem parte do telhado destruído e serve apenas a cultos esporádicos promovidos pela comunidade.
Os próprios moradores de Brejo do Amparo demoraram dez dias para notar a ausência do sino. O Ministério Público foi avisado e acionou a polícia, que pouco avançou nas investigações.
O subinspetor Pedro Valderrama afirmou que a polícia deu buscas, sem sucesso, em ferros-velhos e até em acampamentos de ciganos, à procura de possíveis receptadores da peça. O sino, segundo ele, vale cerca de R$ 1.200 --R$ 4 por quilo de cobre.
Na opinião da polícia, o furto envolveu pelo menos quatro pessoas, que teriam descido o sino com cordas e o transportado em uma camionete ou uma carroça. O atraso na notificação do crime, segundo Valderrama, prejudicou as apurações. "O tempo [até a notificação] foi suficiente para derreter ou partir o sino."
Vigilância
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário não tinha nenhum tipo de segurança. Depois do furto, a Prefeitura de Januária colocou um vigilante no local, por determinação do Ministério Público.
Para o promotor Hugo Lima, os problemas da igreja só serão resolvidos com a restauração total do local. Ele disse que irá acionar o Estado na Justiça para realização das obras. O projeto de restauração da igreja, orçado em R$ 519 mil, já foi feito pelo Iepha (órgão estadual de patrimônio).
Apesar de registrada no Iepha como sendo da primeira metade do século 18, a igreja traz a data de 1688 inscrita em sua fachada principal. Segundo o órgão, não há confirmação histórica da data.
Por ser dedicada à Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos negros, o Iepha supõe que a igreja tenha sido construída por iniciativa de escravos. "Sua conservação até os nossos dias se deu mais a uma feliz casualidade do que qualquer esforço oficial nesse sentido", diz o Iepha, no projeto de restauração da igreja.