O julgamento do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e de sete de seus ex-altos funcionários foi antecipado para amanhã, e não se realizará mais na quarta-feira, como tinha sido anunciado a princípio.
A mudança foi anunciada ontem em entrevista coletiva por Raed Youhi, porta-voz oficial do tribunal especial que julga o ex-ditador e seus antigos colaboradores por suposta responsabilidade no massacre de 148 xiitas, na aldeia de Dujail, em 1982, após uma tentativa fracassada de assassinato cometida contra Saddam.
O adiantamento da quarta sessão do processo, iniciado em outubro, “atende a um pedido da acusação e da defesa por motivos de segurança e para proteger a vida das testemunhas de Dujail”, ressaltou Youhi.
Na sessão de ontem, que durou cerca de seis horas, foram escutados os depoimentos das testemunhas da acusação, Ahmed Hassan al Dujaili e Yauad Abdulaziz Yauad, contra Saddam e seus sete funcionários.
O ex-vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, o chefe dos serviços secretos, Barzan al-Tikriti, e o ex-responsável pelo partido Baath, Abdullah Kadhem Ruaid, que estão entre os oito acusados, questionaram a veracidade das declarações das testemunhas e as classificaram como mentirosas.
Já Saddam se queixou do pouco espaço concedido a ele para refutar as acusações, ao contrário do que aconteceu com Dujaili, que teve um longo tempo para seu testemunho.
O ex-presidente iraquiano garantiu que não temia ser executado e disse que sua preocupação não era se defender, mas proteger o Iraque.