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Deputados culpam José Reinaldo por aumento da criminalidade


Data de Publicação: 8 de dezembro de 2005
 
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Reação

A crise político-administrativa desencadeada em Imperatriz após o assassinato do advogado Valdeci Rocha, teve novos desdobramentos ontem, com a troca de acusações entre o secretário de Segurança Raimundo Cutrim e magistrados. A Associação dos Magistrados, presidida pelo juiz Ronaldo Maciel pediu a demissão do secretário Cutrim. A morte do advogado detonou uma crise sem precedentes entre o Judiciário e o Executivo.

O estopim
O juiz José Brígido Lajes, diretor do Fórum de Imperatriz acusou o governo de ser o responsável pelo quadro de violência em Imperatriz. E para mostrar seu descontentamento com o governador, fez duras críticas ele, de corpo presente, quando de sua visita a Imperatriz. Na verdade, a situação de caos iminente em Imperatriz é uma conjunção de fatores, que vão desde a inoperância do governador José Reinaldo, que não investe na área de segurança, até a retirada do helicóptero que fazia buscas na região durante o governo de Roseana. Ao rebater as acusações do juiz, o secretário Cutrim excedeu-se ao generalizar na acusação de que os magistrados que atuam nas comarcas do interior só trabalham dois dias por semana. É fato que alguns deles, como o juiz de Coroatá, Alexandre Lopes de Abreu - já denunciado como um verdadeiro turista por Veja Agora, já que quase nunca fica na comarca mais que dois dias por semana -, não atuam a contento, preferindo passar maior parte do tempo na capital, mas a maioria dos magistrados trabalha diuturnamente nos municípios para os quais foram designados.

Repercussão

Ontem, na Assembléia Legislativa, vários deputados manifestaram apoio ao secretário e lembraram os serviços prestados por Raimundo Cutrim no combate à criminalidade. Os parlamentares reafirmaram que a responsabilidade pelo aumento da criminalidade em Imperatriz é de José Reinaldo, que não tem dado condições para que a Polícia aja de forma mais capacitada.

Rubens Pereira (PDT) destacou a seriedade e eficiência do secretário à frente da pasta. “Ele tem sabido se conduzir nesta crise política que atravessa o Maranhão de maneira correta, séria e eficiente”, disse.

Manoel Ribeiro (PTB) também apoiou a manutenção de Cutrim no cargo. “O Maranhão é um dos estados com o melhor sistema de segurança e isso se deve ao Cutrim”, afirmou o deputado.

Para o petebista, Raimundo Cutrim opera um verdadeiro milagre, devido às condições de trabalho oferecidas pelo governador. Ribeiro disse que magistrados prestariam um serviço maior ao Maranhão se pedissem ao governador mais recursos para a segurança pública.

Pavão Filho, mais indignado que o colega foi enfático. “Foi Cutrim quem desmontou o crime organizado no Estado”. Segundo ele, o que falta para a melhoria do sistema de segurança são mais ações e recursos do governo, que tem deixado de investir sistematicamente na área. “No Maranhão existe um efetivo de 6.580 policiais, como se pode exigir do secretário mais eficiência do que ele já demonstra?”, questionou. “Em Santo Amaro, há dois policiais. Em Carutapera, só quatro”, completou.

Exigência

A verdade é que por absoluta falta de prioridade do governo com a segurança pública, e isto quer dizer, falta de recurso, treinamento, armamento, comunicação, equipamento básico para os policiais civis e militares, delegacias aparelhadas com um mínimo de estrutura de comunicação e informática, é impossível ao estado dispor de um sistema de segurança que opere de forma coordenada. O que existe é um pequeno, mas eficiente núcleo de elite, dentro das polícias civil e militar que operam no sufoco, apagando incêndios, sem organicidade, e por isso mesmo sem a eficiência requerida pela sociedade. Em resumo, a sociedade maranhense exige uma polícia que não só descubra quem cometeu os crimes, mas principalmente uma polícia que evite a consumação dos crimes.

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