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A taxa da traição


Data de Publicação: 9 de dezembro de 2005
 
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A Câmara Municipal se prepara para votar nos próximos dias mais um projeto cujo objetivo é uma nova punga no bolso do sofrido trabalhador de São Luís. A exemplo do que já fez com a criação da taxa de iluminação pública, cobrada sem que a sociedade pudesse discutir sua implantação, a taxa do lixo a ser criada pelo prefeito Tadeu Palácio é mais um presente de grego para o natal dos brasileiros que aqui residem.

É vergonhosa, entretanto, a submissão que a Câmara Municipal se impõe diante do poder do prefeito Tadeu Palácio. Antes mesmo de aprovar a taxa na Câmara ele já confeccionou os carnês de cobrança com a certeza de que os vereadores votarão conforme sua vontade. Inacreditável. Como vassalos, a maioria dos membros daquela Casa, legisla não conforme os interesses que representam, mas para obedecer aos ditames do nosso alcaide-mor. E o fazem com uma presteza ignominiosa.

Ninguém se permite, sequer, discutir a necessidade da cobrança da taxa, quanto mais contestar sua urgência. Tudo é feito como manda o prefeito, que também não está interessado em melhorar a qualidade de vida da população, mas apenas e tão-somente em arrecadar mais para que, como disse em alto e bom som o governador José Reinaldo, a máquina da Prefeitura possa trabalhar pelos candidatos aliados do próprio prefeito e do governador.

Ao se candidatar à reeleição o prefeito Tadeu Palácio ofereceu aos ludovicenses vários projetos mirabolantes para melhorar a vida de nossa gente. A construção de cinco hospitais na periferia e no Centro da cidade, denominados pelo prefeito de “Socorrinhos” foi um desses projetos. Sua construção, entretanto, nunca passou apenas de uma idéia nascida da imaginação fértil de seus marqueteiros.

Se, de um lado, o prefeito ofereceu o que jamais poderia dar, num evidente estelionato eleitoral, por lado silenciou sobre o que maquiavelicamente planejava tirar da população. Nos vários meses de campanha, nos programas eleitorais da TV ou nos encontros com empresários e dirigentes de classe Tadeu Palácio jamais avisou que iria avançar com tal voracidade no bolso dos habitantes da ilha. A taxa de lixo sequer foi mencionada em qualquer ocasião pelo prefeito e então candidato.

Mas a ganância com que Tadeu Palácio se atira em direção ao salário do trabalhador beira a insanidade. A cobrança da taxa mensal de coleta de lixo que ele vai fazer a Câmara aprovar é muito superior à cobrada em outros estados. Veja Agora teve acesso a um Documento de Arrecadação Municipal - DAM, da prefeitura de São Paulo e constatou que a taxa de lixo, lá chamada de Taxa de Resíduos Sólidos Domiciliares custa R$ 7,23 ao mês. Esse preço é cobrado de um apartamento de classe média, numa das áreas mais valorizadas da capital paulista. Em São Luís, uma casa com área construída de 120 metros quadrados, o proprietário vai pagar mais que o dobro: R$ 15,16 ao mês. A população precisa se rebelar contra mais esse assalto às suas economias, cobrando seus vereadores para que não permitam que o prefeito continue a transformar o município num simples agente arrecadador de tributos sem repassá-los, em forma de obras e serviços, aos cidadãos que foram iludidos com suas falsas promessas. É preciso dar um basta nessa situação!

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