No Natal de 2004, o desempregado Eliojorge de Sousa ganhou oito cestas básicas. Os alimentos foram divididos entre os seis membros da família que moram com ele debaixo da ponte do São Francisco. Como ele, outros moradores de rua de São Luís esperam pelas doações para ter uma ceia natalina.
“Até agora, ainda não recebi nenhuma cesta, mas acho que até o final do ano o pessoal vai entregar os alimentos. Já vieram aqui com algumas cestas, mas o pessoal não me chamou. Quem mora na rua não é muito solidário”, afirma Eliojorge, cuja esposa está grávida de cinco meses.
Antônio Carlos Araújo, outro morador de rua, está há oito meses nos abrigos improvisados da ponte José Sarney e também aguarda as cestas natalinas. “É bom, dá para a gente comer alguns dias. Pelo menos, só se precisa buscar dinheiro para comprar o molhado na feira”, conta.
Aos 14 anos, a adolescente Angélica dos Santos Silva troca qualquer presente pela oportunidade de passar o Natal com uma ceia junto com os irmãos que moram com ela em um casebre de tábuas velhas no São Francisco. “Ano passado, a gente ganhou cinco cestas. Esse agora, ainda não teve gente entregando alimentos, mas nós estamos aguardando”, declara.
Apesar de dezembro ser um mês considerado solidário para quem vive na rua, pois a época natalina favorece as doações de alimentos, roupas e brinquedos, há os que não o esperam para praticar o amor ao próximo, caso da evangélica Neilta França.
Moradora do São Francisco e fiel de uma igreja do bairro do São Francisco, todos os meses do ano ela e outros amigos oferecem um sopa para os moradores da ponte José Sarney. “A gente aproveita para compartilhar a comida física e o alimento espiritual, que é a Palavra de Deus”, diz.