A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira o projeto de lei que cria a Timemania, loteria que tem como objetivo sanear as dívidas dos clubes de futebol com o governo. Após discussão durante todo o dia, o projeto foi colocado em votação a partir das 18h, sendo aprovado apenas às 20h, com 272 votos a favor e 34 contra.
A proposta segue agora para apreciação no Senado. Se não houver alteração na proposta, a Timemania seguirá para a sanção do presidente Lula. Do contrário, o projeto volta a ser discutido na Câmara.
Todo esse trâmite deverá levar para fevereiro de 2006 a aprovação e transformação em lei do projeto da Timemania.
A aprovação da Timemania só foi possível após a interferência do governo, por meio do ministro do Esporte, Agnelo Queiroz. O político, entusiasta do projeto, foi ao plenário para assegurar a votação favorável ao projeto, mesmo sem a obrigatoriedade de os clubes transformarem seu departamento de futebol em empresa, como exigia a bancada de oposição.
“O ministro esteve aqui e afirmou que a questão do clube-empresa deverá ficar para o Estatuto do Desporto. Com isso, será a primeira vitória do governo no Congresso”, afirmou o deputado Silvio Torres (PSDB-SP), ferrenho opositor do projeto sem a obrigatoriedade do clube-empresa, antes de a votação ter início.
A votação do projeto irritou também o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), que acredita que a lei, da maneira como está, favorece o não-pagamento de impostos.
“Querem continuar fazendo o que se faz hoje. Continuar a não pagar os impostos. O PSDB acha isso um escândalo. Quantas instituições estão sem pagar impostos e nem por isso se cria uma loteria para ajudá-las”, indagou.
A queda da obrigatoriedade do clube-empresa foi obtida após um trabalho de dirigentes dos clubes de futebol com deputados. A maior articulação ficou com Pedro Canedo (PP-GO), presidente do Anapolina, que representou os clubes no Congresso para atingir o objetivo.