Para ajudar o leitor na hora de fazer as contas, os valores em dólar consideram uma cotação de R$ 2,40 (acima da cotação oficial da sexta, 17, que fechou em 2,3870). Como o dólar em 2003 e 2004, anos mencionados nesta matéria, não estava no mesmo patamar, reduzimos o cálculo final dos gatos do governo José Reinaldo e Alexandra com propaganda. Pela contas normais passaria de 35 milhões de dólares o comprometimento dos recursos financeiros do Estado com publicidade e com os meios de comunicação que apóiam a política deles. Com boa vontade e para que o Veja Agora não seja acusado de superlativar o esbanjamento de dinheiro público, vamos fechar a conta em 30 milhões de dólares, exatamente o valor que o Governo do Estado quer tomar emprestado do Banco Mundial - Bird para combater a pobreza.
Quando todos os trâmites regimentais do Senado forem vencidos e for aprovada a autorização para que o Estado do Maranhão contraia o empréstimo de 30 milhões de dólares com o Banco Mundial, os recursos começarão a chegar em parcelas, à medida que o programa de combate à miséria (iniciado no governo Roseana) for sendo executado e as etapas avaliadas pelo Bird. O dinheiro não vai entrar de uma vez na conta do Governo do Estado. A previsão é de que as parcelas sejam liberadas até o final de 2008 (o projeto original do Bird coloca o dia 31 de dezembro de 2008 como data para finalização do programa). Ou seja, levará tempo para que o governo receba e use todo a verba, ainda mais que ele terá que entrar com uma contra-partida (não significa exatamente dinheiro) de 10 milhões de dólares.
No Bird, o programa de combate à miséria é chamado de Integrated Maranhao Rural Poverty Alleviation Project, ou Plano de Alívio da Pobreza Rural do Maranhão. Aqui, recebeu o nome de Programa de Desenvolvimento Integrado do Maranhão - Prodim. Segundo o próprio Banco Mundial (http://www.obancomundial.org/index.php/content/view_projeto/1941.html) é o projeto Comunidade Viva, do governo Roseana Sarney, em sua segunda fase, identificada pelos algarismos romanos II. Portanto, é falácia do governador e de seus apoiadores dizer que Roseana é contra o programa, já que ela mesmo o criou, embora modificado no atual governo.
A falácia é alimentada por uma máquina de propaganda que os "especialistas em comunicação" do Governo do Estado chamam de alternativa e que compreende emissoras de TV e de rádio com pouca audiência, jornais amansados e aparceirados e uma distribuição de dinheiro que garante mais do que um obsequioso silêncio de uma outrora imprensa independente: assegura um pequeno exército de jornalistas, radialistas e publicitários, dispostos a atirar sem olhar, desde que lhes digam que o alvo tem o sobrenome Sarney ou lhe é próximo, quer seja parente ou correligionário.
Custo alto para o povo
Mas isso tem um custo. O Maranhão paga alto pela estratégia da comunicação governamental. Desde que José Reinaldo Tavares e Alexandra Miguel Cruz estão no governo (abril de 2002), já foi comprometido um valor igual (ou maior, pois a caixa preta ainda não foi toda aberta) ao que o Governo do Estado espera ser liberado no Senado e que os reinaldistas alegam estar sendo emperrado pelo senadores maranhenses. Isso mesmo. Se José Reinaldo briga pelos 30 milhões de dólares que ainda não foram liberados pelo Senado, seu governo já gastou isso ou mais de propaganda.
A primeira-dama Alexandra Miguel Cruz, em seu período de interinidade como governadora, afirmou em uma entrevista de rádio que o governo dela e do marido não gasta com propaganda. Mas avisou que eles iriam começar a fazer isso, "para mostrar o que o governo já fez". Se a proposta for respeitar a verdade, muito pouco sairá dos cofres públicos, afinal, o que já fez mesmo o governador José Reinaldo? Ou, como de fato parece estar ocorrendo, a ordem do Palácio dos Leões será investir para tentar convencer; criar, criar e criar para parecer que este governo tem o que mostrar.
O preço? No dia 17 de dezembro de 2004, o Governo do Estado assinou um aditivo com a agência Mallman (contrato 044/2004), no valor de R$ 10 milhões para fazer propaganda. Vamos começar a conta por aqui. Em reais, 10 milhões. Em dólares, 4,17 milhões. Se o aditivo assinado foi de R$ 10 milhões provavelmente o valor do contrato original era de, no mínimo, R$ 40 milhões, ou 16,7 milhões de dólares. A Lei 8666/93, que dispõe sobre licitações e contratos no setor público, diz que o aditivo não pode ser superior a 25% do valor original. Somando o aditivo com o contrato original - se realmente foi de R$ 40 milhões, chega-se a R$ 50 milhões, ou, só para não esquecer que José Reinaldo e Alexandra precisam de dólares para o Prodim: 20,83 milhões de dólares. Isso de 2003 para cá. E só com "publicidade".
Jatinhos
Tem ainda o jatinho e o "investimento com propaganda" feito em 2003 e parte de 2004. Primeiro a propaganda. Ordens bancárias emitidas em favor da AB Propaganda no período de março de 2003 a setembro de 2004 alcançam a estonteante cifra de R$ 35.384.108,53, ou, na moeda global 14,74 milhões de dólares. Considerando a possibilidade de o contrato original com agência Mallmann ter sido de R$ 40 milhões das contas do governo José Reinaldo com propaganda (incluindo ordens bancárias ou valores licitados e a pagar) chegam a : R$ 85.384.108,53, ou, 35,57 milhões de dólares, com a moeda americana valendo R$ 2,40. Um detalhe precioso é que todo esse dinheiro foi "aplicado" sem que o governo fizesse divulgação "de seu trabalho" - conforme crê a primeira-dama - na TV Mirante, que detém, segundo o IBOPE e outros institutos respeitados, cerca de 83% da audiência.
Pode-se dizer que o dinheiro voa neste governo. E de jatinho. E José Reinaldo sabe que nem voando rasante, a bordo de um LearJet 55 ou 60, dá para ver a miséria aqui embaixo. Os jatos da Weston, empresa internacional com hangares em Recife, Brasília e Vitória podem ser considerados úteis como terapia. O "último governador de um Maranhão pobre", o governador do IDH não pode se queixar do conforto de viajar nas aeronaves da Weston. Luxo não falta. E parece que dinheiro para mantê-lo também não. Calculadora na mão, faças as contas: neste ano, o Governo do Estado já comprometeu R$ 1.597.930,25 com os jatinhos executivos da empresa. Em 2004 foram mais de R$ 4 milhões e em 2003 R$ 3.159.809,96. Total da Weston em dólares desde 2003: cerca 3,8 milhões. A outra empresa que serve ao Governo do Estado, A Heringer Táxi Aéreo, ficou com R$ 508.044,69.
Como a primeira-dama já falou várias vezes do orgulho que tem da história dela e de ter sido aeromoça (de fato, uma profissão digna de respeito) não seria crime imaginar que além do orgulho da profissão, ela tenha uma saudade perene dos jatinhos, convencendo o marido de que não faz mal nenhum andar nas nuvens, mesmo porque se o Maranhão precisa de 30 milhões de dólares para combater a miséria, que este valor venha do Bird, que venha de um empréstimo. O dinheiro dos cofres públicos do Maranhão serve a interesses mais imediatos. Para fechar a conta: propaganda (35,57 milhões de dólares), mais jatinhos (4 milhões de dólares), igual a 39,57 milhões de dólares.
Mais
De volta do Canadá, onde se encontrava, com a fiel escudeira Érika Braga, a primeira-dama Alexandra Tavares com certeza vai reclamar das contas feitas pelo Veja Agora. Não importa, o que importa é que na volta ela vai "investir" em propaganda e em propagandistas (incluindo a parte amilhada da imprensa local) para tentar desacreditar o que afirmamos: José Reinaldo e ela mandaram gastar ou deixaram que fosse gasto ou comprometido um valor quase igual àquele que esperam vir do Banco Mundial: 30 milhões de dólares.