A concorrência nº 086/2003, da GEINFRA, realizada para aplicar recursos de um empréstimo internacional na execução de pontes de concreto armado em vários pontos do Estado, vencida pela Construtora Guatama, aponta para a existência de mais uma arapuca armada no território da Secretaria de Infra-estrutura do governo do Estado com o objetivo de desviar dinheiro público. Ocorre que o valor aprovado na concorrência está muito acima do que poderia ser considerado normal.
A Secretaria de Infra-estrutura, responsável pela licitação, tem tabela de preços própria, cujo valor não poderia ser ultrapassado em nenhuma concorrência.
Especialistas consultados pelo Veja Agora, após análise elaborada comparando as quantidades de serviços previstos em 119 contratos para construção de pontes de concreto armado, chegaram a conclusões surpreendentes. Quando compararam o preço global do projeto pelos preços da SINFRA chegaram ao teto de R$ 90.416.340,75. No entanto, o preço apresentado pela firma vencedora, a Guatama, foi de R$ 153.963.811,79, ou seja, uma diferença de R$ 63 milhões.
A Guatama é a mesma empresa que está sendo investigada pelo Ministério Público por ter recebido R$ 1,5 milhão pela construção de uma ponte sobre o rio Barro Duro antes mesmo de iniciar a obra. Com 60 metros de extensão e 10 de largura, o preço total cobrado pela obra foi de R$ 1.860.056,22 quando pela tabela da SINFRA este valor jamais poderia ultrapassar R$ 915.147,66. Pior: a ponte só começou a ser construída depois que o escândalo veio a público.
Entendem os consultores que, ao concorrer sozinha, a Guatama usou um artifício para mascarar a análise da proposta. Apresentou as composições de preço com os preços dos insumos, mão de obra e BDI dentro da normalidade. No entanto, a laje dos tabuleiros e as vigias longitudinais e transversais que dão sustentação às pontes, foram orçadas em metro quadrado. Tal procedimento não tem qualquer relação com os preços compostos em metro cúbico, que é a unidade utilizada para o concreto armado. A análise dessas distorções leva à conclusão de que preços impraticáveis foram inseridos propositadamente, "por baixo dos panos", elevando o valor das pontes em quase 70% sobre o valor de referência oferecido pela SINFRA.
Entenda-se: o cálculo do valor das pontes foi executado com os preços compostos pela Guatama apenas a partir das fundações até os pilares. A partir daí o concreto passou a ser cobrado em metro quadrado, por preço definido, sem base orçamentária, como se para fechar um valor pré-estabelecido. Coisa impossível de acontecer sem o conhecimento da Secretaria de Infra-estrutura, o que pode complicar ainda mais a vida do ex-Secretário e cunhado do governador, João Dominici, que responde a uma série de processos na área penal, pode ser preso e parece ter sido abandonado pelo Palácio dos Leões.
Quando se compara os valores totais de cada uma das obras, obtidos através da aplicação dos Preços Unitários Oficiais, com aqueles apresentados pela Guatama à Comissão de Licitação, verificam-se distorções para mais de até 48%, em relação aos preços oficiais.
Para o caso da superestrutura das obras, as distorções, ou seja, o superfaturamento, podem chegar até a incríveis 278% a mais em relação aos preços da SINFRA, o que elevou a média geral para cerca de 70%, representando aproximadamente R$ 63 milhões a mais que o valor que realmente custariam as obras.
Alguns exemplos: a ponte sobre o Riacho Pau Ferrado foi superfaturada em 156%. Com 20 metros de extensão e 10 de largura a ponte custará aos cofres públicos a quantia de R$ 810.968,56 beneficiando à construtora Guatama. Caso fosse praticado o preço da tabela da SINFRA seu custo cairia para R$ 391.697,81. Já pela ponte sobre o rio Pericumã, com extensão de 420 metros foram pagos R$ 13.783.687,17. Se fosse praticado o preço de tabela da SINFRA custaria R$10.392.900,13.
O volume de recursos afanados nessa estranha transação, está visivelmente descrito na tabela elaborada pelos especialistas com base nos preços da Sinfra. esta é mais um escândalo que o governador José Reinaldo, o seu cunhado João Dominici e a Comissão de Licitação precisam explicar e dizer porque permitiram que isso acontecesse.
Quem é a Guatama
A concorrência nº 086/2003, da GEINFRA, realizada para aplicar recursos de um empréstimo internacional na execução de pontes de concreto armado em vários pontos do Estado, vencida pela Construtora Guatama, aponta para a existência de mais uma arapuca armada no território da Secretaria de Infra-estrutura do governo do Estado com o objetivo de desviar dinheiro público. Ocorre que o valor aprovado na concorrência está muito acima do que poderia ser considerado normal.
A Secretaria de Infra-estrutura, responsável pela licitação, tem tabela de preços própria, cujo valor não poderia ser ultrapassado em nenhuma concorrência.
Especialistas consultados pelo Veja Agora, após análise elaborada comparando as quantidades de serviços previstos em 119 contratos para construção de pontes de concreto armado, chegaram a conclusões surpreendentes. Quando compararam o preço global do projeto pelos preços da SINFRA chegaram ao teto de R$ 90.416.340,75. No entanto, o preço apresentado pela firma vencedora, a Guatama, foi de R$ 153.963.811,79, ou seja, uma diferença de R$ 63 milhões.
A Guatama é a mesma empresa que está sendo investigada pelo Ministério Público por ter recebido R$ 1,5 milhão pela construção de uma ponte sobre o rio Barro Duro antes mesmo de iniciar a obra. Com 60 metros de extensão e 10 de largura, o preço total cobrado pela obra foi de R$ 1.860.056,22 quando pela tabela da SINFRA este valor jamais poderia ultrapassar R$ 915.147,66. Pior: a ponte só começou a ser construída depois que o escândalo veio a público.
Entendem os consultores que, ao concorrer sozinha, a Guatama usou um artifício para mascarar a análise da proposta. Apresentou as composições de preço com os preços dos insumos, mão de obra e BDI dentro da normalidade. No entanto, a laje dos tabuleiros e as vigias longitudinais e transversais que dão sustentação às pontes, foram orçadas em metro quadrado. Tal procedimento não tem qualquer relação com os preços compostos em metro cúbico, que é a unidade utilizada para o concreto armado. A análise dessas distorções leva à conclusão de que preços impraticáveis foram inseridos propositadamente, "por baixo dos panos", elevando o valor das pontes em quase 70% sobre o valor de referência oferecido pela SINFRA.
Entenda-se: o cálculo do valor das pontes foi executado com os preços compostos pela Guatama apenas a partir das fundações até os pilares. A partir daí o concreto passou a ser cobrado em metro quadrado, por preço definido, sem base orçamentária, como se para fechar um valor pré-estabelecido. Coisa impossível de acontecer sem o conhecimento da Secretaria de Infra-estrutura, o que pode complicar ainda mais a vida do ex-Secretário e cunhado do governador, João Dominici, que responde a uma série de processos na área penal, pode ser preso e parece ter sido abandonado pelo Palácio dos Leões.
Quando se compara os valores totais de cada uma das obras, obtidos através da aplicação dos Preços Unitários Oficiais, com aqueles apresentados pela Guatama à Comissão de Licitação, verificam-se distorções para mais de até 48%, em relação aos preços oficiais.
Para o caso da superestrutura das obras, as distorções, ou seja, o superfaturamento, podem chegar até a incríveis 278% a mais em relação aos preços da SINFRA, o que elevou a média geral para cerca de 70%, representando aproximadamente R$ 63 milhões a mais que o valor que realmente custariam as obras.
Alguns exemplos: a ponte sobre o Riacho Pau Ferrado foi superfaturada em 156%. Com 20 metros de extensão e 10 de largura a ponte custará aos cofres públicos a quantia de R$ 810.968,56 beneficiando à construtora Guatama. Caso fosse praticado o preço da tabela da SINFRA seu custo cairia para R$ 391.697,81. Já pela ponte sobre o rio Pericumã, com extensão de 420 metros foram pagos R$ 13.783.687,17. Se fosse praticado o preço de tabela da SINFRA custaria R$10.392.900,13.
O volume de recursos afanados nessa estranha transação, está visivelmente descrito na tabela elaborada pelos especialistas com base nos preços da Sinfra. esta é mais um escândalo que o governador José Reinaldo, o seu cunhado João Dominici e a Comissão de Licitação precisam explicar e dizer porque permitiram que isso acontecesse.