Por: Jonas Costa*
Realmente é preocupante, porque, antes, a ação destruidora desse germe nocivo era invisível no país, enquanto agora, com seu crescimento surpreendente e assustador, se pode ver até que ponto o homem é capaz, diante de seus defeitos e fraquezas, de tornar-se um corrupto. Assim, sem mais escrúpulos morais nem respeito aos direitos alheios, tudo vale para realizar seus intentos e desejos insaciáveis, até o momento em que se rompe o equilíbrio interior e começa agir de forma implacável.
O fato não é exclusivo da nossa época. Sempre houve, conforme a história, corrupção no mundo. Porém há países, onde foi possível superar a desonestidade, que conseguiram frear, de início, a progressão desse mal. Ao passo que, no Brasil, como as possibilidades foram favoráveis pelo fato de não haver uma técnica para prevenir os contágios, o resultado está aí às claras. Portanto, o que é próprio da nossa época, é em primeiro lugar, a enormidade da extensão numérica de corruptos no país. Pena que não se pode provar que tenha aumentado o número de corruptos relativamente ao total da população. Mas como esta aumentou do último século para cá, basta que a percentagem dos corruptos se tenha mantido constante para que, em números absolutos, a corrupção tenha atingido dimensões alarmantes. Em compensação, o que, em segundo lugar caracteriza nossa época, é o fato de que a população tem plena consciência do fenômeno, sabe que existem técnicas para combatê-lo e evitar o contagio desse mal que conduz à corrupção moral, que é a depravação dos costumes, porém nenhum projeto, pelo menos que se saiba, foi criado nesse sentido. Resultado: a corrupção instalou-se, pouco a pouco, no indivíduo e na sociedade, através de pequenas concessões ou acomodações, e sempre em razão da falta de firmeza de preceitos e covardia em face de pressões de grupos, ou de uma propaganda enganosa. De qualquer forma, a corrupção é uma arma terrível que todos os corruptos sabem manipular com habilidade. Este é o perigo!
Em verdade, ninguém nasce ladrão e ninguém se inicia cometendo logo um crime espetacular. Para chegar a esse ponto, houve uma lenta preparação interior: uma insensibilidade crescente pelos direitos alheios, uma sedução cada vez mais forte e consentida pelas vantagens do crime. Por conseguinte o homem que infringe uma de suas responsabilidades cívicas, deve responder pelo seu ato perante a justiça. Esta, porém, é imperfeita e, por vezes, corrupta, porque nem sempre cumpre o dever moral de dar a cada um o que lhe é devido. Aqui está uma das maiores responsabilidades da educação que é inculcar, pela palavra e pelo exemplo, o censo de injustiça, que se traduz numa consciência clara dos próprios direitos e deveres, e no respeito ao direito dos outros.
Ora, se a honestidade se refere, principalmente, à veracidade da palavra e à lisura nas relações de justiça, é evidente que o homem honesto é aquele que não mente, que respeita a palavra dada, incapaz de qualquer apropriação indébita em seus negócios e no exercício de suas responsabilidades públicas ou privadas. Pois a honestidade é uma virtude moral e cívica, sem a qual é impossível a superação do subdesenvolvimento. Um país, cujos homens públicos são moralmente subdesenvolvidos, isto é, desonestos ou desmoralizados, pagam um tributo enorme à insaciável desonestidade de seu lideres. Pois quando esta se instala na administração pública, não há mais recursos que cheguem para o menor programa de desenvolvimento, para a menor melhoria das condições do povo, porque quantias as mais vultosas desaparecem por canais ocultos e pelos processos habilidosos.
De tudo isso resulta: é sério o problema da educação no país, principalmente com relação à educação moral e cívica, que tem como ponto de partida a realidade, apresentada de forma a não conduzir o indivíduo à aquisição de falsas idéias ou de preconceitos deformadores; educar para a responsabilidade que é um dever de pais e mestres, único método capaz de deferir responsabilidades crescentes, para que o educando possa aprender a responder por suas ações, e, finalmente, acabar com a impunidade no país, a qual, além de enfraquecer as estruturas legais e jurídicas, por sua vez, estimula o crime.
* Jonas Costa é advogado