Da Redação
A começar pelo governador José Reinaldo Tavares, que se diz o principal líder do PTB no estado, os políticos que fazem parte dos partidos envolvidos em um dos maiores escândalos da República depois de Collor, PP, PL e PTB, preferem silenciar sobre o espinhoso assunto. Poucos foram os que falaram alguma coisa em sua defesa. O PP é um símbolo desse silêncio acusador. No mesmo momento em que pipocava a bomba de Jéferson, os deputados Wagner Lago, irmão de Jackson Lago, e Eliseu Moura dividiam a tela com a apresentadora do Sabores e Bastidores (Canal 20) para defender um PP que está atolado até o pescoço na confusão. Preferiram Wagner Lago e Eliseu requentar Salangô, Rosário e Paulo Ramos-Arame. Nada daquilo que os envolve como partidários dos beneficiários da mesada delubiana.
O governador, este que não fala nada sobre nada há muito tempo, deixando a cargo da mulher, Alexandra Miguel Cruz Tavares, a incumbência de falar (etecétera) pelo governo, faz de conta que não tem nada com isso. Logo ele que teve no presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jéferson, a principal estrela na festa de entrada dele (e do grupo palaciano) no PTB. Tornaram-se parceiros, o governador do Maranhão e o deputado do escândalo dos Correios e do mensalão. Falaram-se com freqüência até quando José Reinaldo começou a pensar em pular para o PSDB.
Há um número significativo de deputados maranhenses (estaduais e federais) e o Palácio dos Leões quase todo, entre os filiados aos partidos do maior escândalo da política brasileira contemporânea. Um escândalo que chegou ao conhecimento dos brasileiros como um telegrama e acabou se transformando numa encomenda gigantesca e pesada, que nem os Correios conseguem levar se não por um preço muito alto. E nós já pagamos por isso: uma campanha caríssima está sendo feita pelos Correios para tentar manter a imagem da instituição, arranhada com a corrupção encontrada. É imperioso ressaltar, porém, que os servidores dos Correios não devem ser igualados a Marinho, Osório, Jéferson e sua catrupia.
Alguns, como Pedro Fernandes (PTB) e Remi Trinta (PL), se manifestaram. Ambos afirmaram que nada têm com o assunto. Um recorreu à biografia e o outro apresentou o currículo onde consta que, à época do mensalão, segundo ele, era secretário extraordinário de José Reinaldo. Dos demais, silêncio absoluto. Não poderia ser diferente. Não há interesse maior do que os individuais. Dos que se engalfinhavam antes o que se sabe hoje é um acórdão: com prendedores de roupa no nariz, misturam-se, alinham-se, aninham-se uns aos colos dos outros, para brigar com Sarney e Roseana.
Até o PT. Calado, tímido, acabrunhado. Acostumado a torpedear os outros enquanto alimenta-se de pedaços de seu próprio fígado, o PT maranhense não sabe o que diz. Sorte, por enquanto, de Monteiro e seu Incra, que ficam em plano secundário, diante de alguns escândalos bem maiores, ocorridos sob as fuças de Lula, Zé Dirceu, Genoíno e companhia. Provavelmente sem o conhecimento deles. Com toda certeza sem o conhecimento dos petistas daqui, que estes não participam de nada e jamais saberiam de algo tão grande (um misto de falta de confiança e de falta de importância). Isso, porém, não faz o PT do Maranhão, de uma maioria reinaldista, livre do que ainda vem por aí. Nem só de Incra se fala.