Terminou na manhã de ontem a maior rebelião da história da Central de Custódia de Presos de Justiça-CCPJ, em Imperatriz. Após 24h de muita negociação, os três agentes feitos reféns acabaram liberados sem nenhum ferimento. Durante a rebelião, o fornecimento de água, luz e alimentos foi cortado, o que contribuiu para que os presos acabassem com o motim. Entre outras coisas, a revisão das penas foi a principal reivindicação.
A rebelião começou por volta das 9h30 quando os presos se encontravam no local destinado ao banho de sol. Aproveitando um vacilo de um dos agentes carcerários, que esqueceu a porta do local aberta, os presos saíram, dominaram os agentes e iniciaram a rebelião.
Três agentes foram tomados como reféns, Mozart Amorim Pereira Júnior, Nilton César Rocha e um terceiro identificado apenas como Lopes. Todos os 202 detentos da CCPJ ficaram amotinados. Quase que no geral, as dependências da CCPJ foram destruídas. Os computadores foram depredados, portas arrancadas e portões arrombados.
Os presos quebraram a parede que dá acesso ao 4º Distrito Policial e de lá roubaram uma escopeta, dois revólveres e uma espingarda, além de munição. Os presos também portavam facas tipo peixeira que foram roubadas de um depósito na distrital. Vários tiros foram desferidos no presídio. Um momento de muita tensão foi quando um dos reféns foi colocado na porta da frente do presídio com a própria pistola 0.40, que o preso lhe tomou, apontada para sua cabeça.
O agente Nilton César Rocha estava preso com uma "gravata" pelo detento que o ameaçava. Policiais militares, civis e agentes carcerários tomaram posição de tiro para evitar a fuga em massa. Diante da força policial os presos recuaram e voltaram ao trabalho de destruição do presídio derrubando as grades das janelas das celas do pavilhão superior. Os presos gritavam palavras de ordem, como "vai morrer gente", "podemos até morrer, mas vamos matar também".
Os detentos Joacy Ferreira Dias e outro identificado apenas como Edilson, que são acusados de crime de estupro, foram esfaqueados e jogados para fora do presídio além dos dois mais 6 ficaram feridos. Os dois homens foram socorridos pelo serviço de resgate do Corpo de Bombeiros e encaminhados ao Socorrão Municipal.
Segundo informações da Polícia, houve negligência do diretor do presídio, Saul Ramalho, pois ele foi avisado pelo Serviço de Inteligência da Polícia Militar que um motim estava sendo articulado e não tomou providência.
Negociação
A Secretaria de Justiça e Cidadania, através do secretário Flávio Dino enviou para Imperatriz o Grupo Tático Aéreo-GTA, com o delegado Sebastião Uchôa e o negociador profissional Luis Eduardo Vaz. As negociações começaram por volta das 15 horas. Um detento que foi identificado apenas pelo prenome de Valdomiro foi escolhido para mediar às negociações.
Os outros presos concordaram com o acordo, que previu a revisão de processos, questão de penas e a transferência para a Penitenciária de Pedrinhas de presos já condenados. O delegado Sebastião Uchôa afirmou também que brevemente estará em Imperatriz uma comissão para a revisão de todos os processos de presos na Central de Custódia de Presos de Justiça-CCPJ, como está sendo feito em São Luis.