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Poluição e abandono estão vencendo o Rio Bacanga

Fonte: Edição 12
Data de Publicação: 6 de agosto de 2005
 
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Apesar de sua importância para o equilíbrio ecológico de São Luís e como fonte de alimento para parte da população carente, o Rio Bacanga corre risco de ser engolido pelo avanço da cidade sobre seus limites e pelo abandono a que foi relegado pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de São Luís.

O rio nasce na região do Maracanã e percorre 22 km até sua foz, na Baía de São Marcos. No trajeto, vem vencendo desafios de núcleos populacionais que o poluem e da falta de uma política de saneamento adequada, até encontrar a barragem - construída quando José Sarney era governador - interligando o centro histórico ao bairro do Anjo da Guarda e formando ali o lago do Bacanga.
O ex-titular da Gerência Metropolitana, Ricardo Murad, visitou o local com uma equipe técnica do órgão e determinou estudos para urbanizar a região, como forma de permitir sua melhor utilização e para a preservação do meio-ambiente. Antes de realizar a obra Ricardo deixou a Gerência para ser candidato a prefeito de São Luís e o projeto foi abandonado pelo governador.

Regina Fernandes, responsável pelo bar da Associação dos Professores Universitários do Maranhão (APRUMA), instalado numa área no início da barragem, disse que os funcionários ainda levaram alguns materiais, mas que depois que Ricardo saiu da Metropolitana mandaram um trator que deixou tudo entulhado.

Projeto abandonado

Com recursos federais liberados a Prefeitura de São Luís iniciou um projeto de urbanização da margem direita do rio das Bicas, que integraria a bacia do Bacanga e deveria se estender por três quilômetros, margeando a Avenida dos Africanos. As obras compreendiam trabalhos de infra-estrutura no trecho entre a barragem do Bacanga e o Parque dos Nobres, e incluiria, ainda, o canal da Areinha. O objetivo era criar um espaço de lazer adequado para práticas desportivas como o cooper e o ciclismo.

Quem passa pelo local se depara com o abandono. Da obra pretendida, pode-se ver apenas uma “floresta” de caríssimos postes de alumínio que são vigiados por duas turmas de 4 seguranças de uma empresa contratada para atuar na área.

Veja Agora pôde constatar que os únicos freqüentadores do local são elementos que se escondem no matagal para fumar maconha e roubar os poucos transeuntes que se aventuram pelo lugar. Os próprios seguranças revelam que não há policiamento na área e que, recentemente, um vigilante foi assaltado e levou um tiro nas nádegas.

Tragédia na barragem

Outra aventura vive quem se arrisca a fazer a travessia da barragem a pé. A passarela de pedestres não oferece qualquer segurança. "Quase não tem corrimões e dias atrás um garoto caiu de bicicleta e morreu", conta Dora Costa, frequentadora da APRUMA, revelando uma tragédia que pode acontecer outras vezes.

Parte do muro de arrimo da barragem, próximo ao bar da Apruma, já caiu. "Começou com uma rachadura num sábado. Deixei para informar alguém na segunda-feira, mas no mesmo dia caiu.", conta Antonio Ribeiro, operador de comporta há mais de 15 anos. Ele reclama da falta de manutenção no local. "Das 7 comportas que restaram, uma já está com defeito", diz.

Professor da Universidade Federal, Paulo Cavalcante ressalva a importância ecológica e sócio-econômica do rio e diz como atualmente ele perdeu parte do seu volume pelo assoreamento, além de servir de depositário para esgotos domésticos, dejetos industriais e lixo que são lançados "in natura" por grande parte de empresas e moradores do centro da cidade e de bairros circunvizinhos. "A urbanização e humanização do local é importante, porque as autoridades podem criar políticas de saneamento", disse.

O professor alerta para estudos sobre o tempo de abertura das comportas. Segundo ele, a formação de um prisma de água salgada no interior da barragem é uma espécie de depurador de esgotos, mas o adequado seria que as estações de tratamento de esgoto da Areinha e Jaracaty já estivessem funcionando. "A água tem efeito bactericida e, à falta de oxigenação, muitos organismos morrem.", informou.

O pescador José Raimundo Sousa e Silva, 57 anos, confirma o descaso com a barragem e como os peixes têm morrido com essa demora na abertura das comportas. As comportas são abertas de 20 em 20 dias no verão. Durante o período chuvoso, sua abertura depende da chuva, para que não encha muito, confirmou Antonio Ribeiro: "As pessoas fazem casas na beira do rio e quando enche um pouco eles vêm reclamar com facão", finalizou.

Sem data

O secretário-adjunto da Sinfra para a área metropolitana, Mendes Neto informou que existe um estudo de recuperação da barragem, que está sendo elaborado com a ajuda da Universidade Federal, com dados ecológicos, mas ele não tem data para ser implantado.

Ele disse ainda que pequenos reparos são feitos constantemente. "No início do ano recuperamos o maquinário e até setembro faremos novos reparos nas comportas e nos corrimãos", prometeu, mesmo reconhecendo que não existem recursos. Quanto à parte que caiu, Mendes Neto disse que já encontrou assim e a sua recuperação faz parte do estudo mais amplo, sem dar maiores explicações sobre quando isso vai acontecer.

O secretário da SEMSUR, Carlos Rogério Araújo, explicou que a obra de urbanização da margem direita do Rio das Bicas não é prioridade da Prefeitura, alegando que a mesma será retomada ainda neste semestre. "Depende apenas do repasse federal", diz. Mas os recursos já teriam sido repassado em sua totalidade para a Prefeitura, segundo revelou o ex-deputado Roberto Rocha durante a campanha.

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