Uma manifestação que contou com a presença de representantes das classes política e empresarial do Maranhão cobrou do Governo Federal, ontem pela manhã, o início imediato de uma nova ponte sobre o Estreito dos Mosquitos, na Estiva. Os líderes empresariais protestavam contra a demora na conclusão da obra de recuperação da ponte sobre o Estreito dos Mosquitos, iniciada em agosto do ano passado, quando parte da estrutura se rompeu.
De acordo com o presidente da Federação do Comércio, José Arteiro caso não sejam adotadas providências para a solução do problema a idéia é fechar a ponte e interditar a BR. Arteiro disse que de acordo com o último prazo estabelecido para a conclusão dos serviços, a ponte deveria ter sido entregue à população há seis meses. Um ano se passou e o problema persiste. “Isso mostra o descaso do Governo Federal. Não são só os empresários que estão sendo prejudicados, mas toda a população. Esse é um problema de todos os maranhenses. Queremos a ponte pronta até o final do ano”, sentencia.
Em meio à pressão dos políticos e empresários, o diretor regional do Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre - DENIT, Leônidas Caldas, revelou que a ponte ferroviária ainda deverá sofrer novas interdições totais, e uma delas acontece no próximo domingo, das 5h às 15 horas. Segundo Caldas, a interdição se deve à necessidade de um novo processo de recuperação do sistema de fixação dos dormentes da ponte.
Emergência
De acordo com o diretor do DENIT, a solução do problema da ponte foi dividida em duas etapas – uma emergencial, já concluída, e uma segunda etapa, que ainda deverá demorar um pouco mais e sua conclusão está prevista para janeiro de 2006.
Uma primeira licitação para a construção de a nova ponte, ocorrida em dezembro, acabou por ser anulada devido à participação de empresas inabilitadas. Uma nova licitação está prevista para acontecer no próximo dia 23, quando será decidido o nome da empresa que vai construir a nova ponte, cujos recursos ta estariam disponibilizados pelo Governo Federal.
Para o representante da Associação Comercial do Maranhão, Zeca Belo, pode ser decretada uma situação de emergência. O empresário atribui o atraso na conclusão da obra ao descaso do governo federal e diz que 1 milhão de maranhenses estão sendo desrespeitados. Segundo Zeca Belo, o custo de vida em São Luís subiu em torno de 50% em função dos preços de fretes das empresas transportadoras cujos veículos trafegam diariamente pela ponte. Zeca Belo afirma que o frete cobrado pelas empresas aumentou em torno de 30% em função das dificuldades para atravessar o Estreito dos Mosquitos. Para estas empresas, o custo sai mais baixo se os produtos forem transportados para outras capitais.
Desabastecimento
Cláudio Azevedo, presidente da Associação de Produtores do Estado do Maranhão, afirma que São Luís está correndo um sério risco de desabastecimento. O produtor reclama do sofrimento da classe pecuarista por ocasião da Expoema, no ano passado e diz que agora os produtores estão sofrendo novamente.
Além dos problemas relativos ao tráfego de veículos, outra preocupação diz respeito ao fornecimento de água para a Ilha. De acordo com o engenheiro Luiz Albuquerque, da CAEMA, a adutora que abastece 60% da população passa ao lado da ponte Benedito Leite (a ponte férrea), que suporta atualmente, além da carga dos trens, a de veículos pesados, desde que a ponte Marcelino Machado entrou em obra. “A Benedito Leite soma 100 anos e está resistindo com bravura e até agora não apresentou problemas”, diz o engenheiro. Mas a preocupação existe. “Há um reclame do pessoal de que a ponte pode prejudicar a adutora”.
Prejuízos
Além do longo tempo de espera em filas quilométricas, os motoristas de caminhão que fazem o transporte de transporte de cargas para São Luís, reclamam também dos prejuízos decorrentes da perda de produtos alimentares - como as frutas - e da morte de animais transportados.
Francisco Lima Cavalcante transporta 15 toneladas de laranja de Recife para São Luís. Toda semana transporta cargas de laranjas, bananas e outras frutas. Diz que de vez em quando boa parte da carga se estraga. O transporte das frutas, entregues na Ceasa, custa 130 reais por tonelada. “A gente perde o frete e o dono da fruta perde as frutas”.
Raimundo Nonato Martins, 47, motorista há 20 anos passa diariamente pela ponte, a qual cruza pelo menos três vezes por dia. Há duas horas esperando para fazer a travessia do Estreito dos Mosquitos, o motorista reclama. Diz que a ponte deveria ter ficado pronta há muito tempo. “Disseram que entregariam em agosto. Só se for do ano que vem”.
Um vigilante que não quis se identificar informou que cerca de 30 mil carros cruzam a ponte diariamente, ente carros pequenos e veículos pesados. “O pessoal reclama bastante”. Segundo o rapaz, a espera dos caminhões para passar pela ponte é em média de 1 hora. “No final de semana a situação é desesperadora”, diz.O rapaz diz que muitos animais morrem nos caminhões que os transportam. Trabalhando no controle do tráfego sobre a ponte há 8 meses, o vigilante diz que vê sempre o pessoal do DENIT no local.
A longa espera que representa prejuízo para caminhoneiros e donos de cargas resulta em lucros para outros. Francisco Chagas Benício, 58, vendedor, diz que desde que as obras da ponte começaram faz do lugar um ponto de venda de castanha, laranja e outros produtos. Diz que apura em média 40 a 50 reais por dia.