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Desatino (ou: O que mata é a inveja)

Fonte: Edição 11
Data de Publicação: 5 de agosto de 2005
 
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Roseana Sarney deixou o governo - para passá-lo a José Reinaldo, a quem ela deu um crédito de confiança, como seu vice - em abril de 2002, há mais de três anos. Mesmo assim, recentes pesquisas dão à sua administração aprovação superior a 70%. Esse índice é o mesmo da rejeição de José Reinaldo, construída desde que ele assumiu o cargo, eleito com a ajuda de amigo aos quais já traiu.

José Reinaldo vive um impasse: pensa em eleger-se deputado federal para continuar tendo foro privilegiado ao defender-se das acusações de corrupção em seu governo e, por outro lado, ouve muito os novos amigos que sonham em fazer não ele, mas a mulher deputada federal. Não sabe qual dos dois projetos é mais difícil. Na dúvida, empenhou-se em seduzir os outrora inimigos, distribuindo cargos, benesses e alimentando a expectativa de colocar a máquina do Estado a serviços de reeleições e da tentativa de alguns de chegar ao governo.

O problema é que ele e seus novos amigos não conseguem avançar na opinião pública. O melhor colocado entre os que sonham com o Palácio dos Leões - entre os que comungam dos mesmos objetivos e se irmanam sob o manto da Frente de Apoio à Corrupção - patina em 16% nas pesquisas de intenção de voto. A senadora Roseana Sarney chega a 65%. Isso vem deixando os palacianos em polvorosa e parece ser a motivação para as recentes declarações raivosas do governador, veiculadas nos meios de comunicação que o Governo do Estado patrocina.

José Reinaldo, com ar cansado e irritado, para atacar adversários políticos agrediu artistas, grupos folclóricos e a arte popular do Maranhão, ao chamar eventos como o Vale Festejar - que vai ser realizado também em Imperatriz -, Maranhão Roots Reggae Festival e Caixinha de Surpresas como vadiagem. Um destemperamento inaceitável em uma autoridade pública, mas que não é fato isolado. O governador, toda vez que uma denúncia forte e difícil de explicar explode contra seu governo, parte para esse tipo de ataque. E reage pior ainda quando são confrontados os péssimos números de seu governo e a popularidade e o crescimento de Roseana.

Sua reação desmedida ocorre em público e em particular.

Um de seus principais escribas, o jornalista Marcos Nogueira, assessor da primeira-dama, escreveu em sua coluna publicada em um jornal local, que José Reinaldo dissera a um amigo que ficaria feliz se ele (o amigo) atirasse Roseana Sarney do avião para a morte. Expressão do desespero de quem não pensa no que diz. Dir-se-ia, com tranqüilidade, que é o caso, urgente, de um tratamento com especialistas.

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