O drama nos bairros
Estrada de Ferro ou Estrada da Vitória; Avenida Luiz Rocha ou Avenida José Sarney. O nome muda à medida em que a cidade avança sobre onde antigamente corriam os trens da rede Ferroviária Federal. Iguais, em toda sua extensão, só os problemas. Vitoriosos, mesmo, são os portadores de necessidades especiais que se dirigem ao Hospital Sarah Kubitschek.
Diariamente, eles são obrigados a driblar carros, ciclistas e carroças para chegar a seu destino. Paulo Dantas faz fisioterapia no Hospital Sarah desde 1994, diz que sempre foi assim e reclama da situação "É perigoso demais, a rua é estreita e de mão dupla", disse.
José Mauro Silva é carioca e está em São Luís para se tratar no Sarah . Ele sempre precisa de alguém para ajudar a atravessar a rua, porque a pista é cheia de ondulações e não tem rampa nas calçadas: "É difícil o chegar ao Sarah. O trecho que faço tem muitos obstáculos", reclamou.
Faltam calçadas e sinalização e sobram quebra-mola, esgotos escorrendo e buracos. A avenida é irregular e dificulta o trafego dos seus usuários. Quem faz esse percurso ou mora na Fé em Deus reclama da precariedade: "Isso desvaloriza o hospital aqui perto", alegou a dona-de-casa Terezinha Oliveira.
A única sinalização é uma faixa de pedestre em frente ao hospital Sarah, mas sua localização é questionada porque muitos não a utilizam e, segundo funcionários do hospital, o agente da Semtur deslocado para interromper o trânsito para a passagem dos doentes, só trabalha quando quer e se preocupa mais em multar os motoristas, ao invés de orientar. Ontem, por exemplo, quando Veja Agora esteve no local, por volta de 9 horas da manhã, não havia ninguém no local.
Juarez Rocha Silva mora no local desde que nasceu, há 71 anos e disse que acontecem muitos acidentes naquele trecho e os quebra-molas não adiantam nada, porque os carros passam com muita velocidade. "O poder público não faz nada", reclama. Ele lembrou que o ex-prefeito Jackson Lago, às vésperas da sua última eleição, começou uma obra de ampliação da avenida, mas abandonou. A casa de Juarez foi cadastrada para receber indenização, mas, a desculpa é que faltou verba e tudo ficou como estava.