Num pequeno trecho da Estrada da Vitória, entre a Rua Jorge Damous, no Caratatiua e o Viva João Paulo, no bairro do mesmo nome, a falta de pavimentação é apenas um dos muitos problemas dos moradores que convivem diariamente com mal cheiro e sujeira provenientes dos esgotos que correm a céu aberto na rua. Só para se ter uma idéia da situação, o lugar é conhecido como Rua da Bosta.
Aos dejetos lançados pelos vários canos de esgoto ao longo de toda a rua soma-se o lixo que se acumula em alguns pontos, tornando a área ainda mais insalubre. Alheias à ameaça, crianças brincam nas portas de casas, onde os moradores fazem varreduras várias vezes por dia na vã tentativa de diminuir o problema.
Para Isaura Serra, 50, há mais de 20 anos morando no lugar, a água de esgotos, que corre pela porta das casas é o problema mais grave. "Já vieram consertar umas poucas vezes, mas o problema parece não ter solução. Há dias em que a gente não suporta o mau-cheiro. As pessoas adoecem. De vez em quando tem caso de dengue". Outra preocupação decorrente dessa situação são os ratos, que invadem as casas e colocam em grave risco a saúde de crianças e adultos.
Testemunha do drama
Da calçada da casa onde mora, próxima ao trecho onde acaba o asfalto, d. Isaura mostra o ponto onde os problemas tomam maiores proporções. Sem asfalto, nem piçarra, o trecho é coberto por buracos. A lama, resultante da água de esgotos, forma poças em vários pontos, dividindo o espaço com o lixo.
Iluminação não tem. Exatamente onde acaba o asfalto acaba também a iluminação pública, piorando ainda mais a situação dos que precisam passar pelo local. Além dos buracos e da imundície, os transeuntes são expostos à sanha dos bandidos que fazem ponto naquela área. "Há pouco mais de um mês mataram um rapaz de 19 anos aí", lembra, garantindo que o rapaz foi vítima de assaltantes.
"As pessoas só passam nesse trecho, no máximo, até as 9 horas. Depois, ficam com medo. Até o pessoal que passa de carro tem medo. Às vezes assaltam motorista em plena luz do dia", afirma d. Isaura. As crianças também têm medo. Duas estudantes, ambas na faixa dos 11 anos, que passavam pela rua, pediram a campanhia da equipe de Veja Agora no trecho onde costuma acontecer assaltos.
Asfalto virtual
O asfaltamento da rua é, a exemplo de outras obras do prefeito Tadeu Palácio, apenas virtual. Só está no papel, de acordo com d. Isaura, que ressalta que na Prefeitura a rua toda consta como asfaltada.
O problema, antigo ("nunca asfaltaram", segundo d. Isaura), já foi objeto de um abaixo-assinado dos moradores e temas de matérias feitas por equipes de TVs chamadas ao local pela comunidade. Nada disso adiantou. "A verba veio para eles colocarem o piche. Nunca botaram", diz a moradora indignada.
Quem faz coro às reclamações da moradora é Maria dos Anjos Balata, 66, há 35 morando no local. "Moro aqui porque não tenho para onde ir. Há muitos anos que essa água de esgoto escorre aí. Quando chove, a gente fica com os pés dentro da lama".
Para Célida Piedade, 66, uma das primeiras moradoras da área - ela mora lá há 40 anos -, na rua "não tem nada feito pela prefeitura. Queremos que asfaltem e que botem luz", diz, indignada com a situação.