Para se livrar da ação pública que corre contra ele na Justiça, pedindo a indisponibilidade de seus bens e da mulher, Alexandra Miguel, o governador José Reinaldo resolveu jogar no engenheiro José Ribamar Teixeira Santos, toda a culpa do desvio de pelo R$ 5 milhões no chamado esquema das estradas fantasmas. A mesma estratégia vem sendo adotada pelo ex-secretário de Infra-Estrutura, João Dominici. Em seus depoimentos ao Ministério Público, Ribamar Teixeira nega que soubesse que havia um esquema montado para fraudar o dinheiro público.
Segundo ele, o ex-secretário João Dominici, cunhado do governador José Reinaldo sabia de tudo o que se passava na Sinfra e era quem autorizava as obras fantasmas que beneficiaram entre outras, as construtoras Petra e LJ, respectivamente pertencente ao empresário Lourival Parente e seu filho Jourival Júnior. Segundo Ribamar o ex-secretário Dominici assinava as cartas-convites, as ordens de serviço e era o ordenador de despesas e não pode negar a participação no esquema.
Em entrevista ao Veja Agora, Teixeira ratifica depoimento prestado ao Ministério Público e afirma que só soube que eram fantasmas as obras que ele atestava como feitas quando a denúncia saiu na Imprensa. Foi quando, segundo ele, viajou a algumas localidades e constatou que as obras não haviam sido realizadas. Teixeira disse aos promotores e a Veja Agora que ficou preocupado com a imagem dele, já que, tendo assinado as medições, acabaria sendo acusado, segundo ele injustamente, pelas irregularidades. Reinaldo Bandeira levou o temor de Teixeira ao secretário Dominici que acabou por fazer uma visita ao servidor, na sala deste, quando lhe disse que ficasse tranqüilo porque tudo estava sendo acertado.
O servidor nega que tenha se beneficiado do esquema. Admite que realmente assinou as medições - os relatórios dando as obras fantasmas como feitas -, mas afirma que fez isso por ordem do seu superior imediato, também engenheiro Reinaldo Carneiro Bandeira que, por sua vez, fazia o que Dominici mandava. E para provar que não roubou e nem teve vantagens com o esquema montado na secretaria comandada por Dominici e Bandeira, Teixeira abriu mão do seu sigilo bancário e pediu aos promotores para determinar que seja feita mesma coisa em relação aos sigilos do governador José Reinaldo, da primeira-dama Alexandra Miguel e dos engenheiros Dominici e Teixeira, além dos donos da Petra. A Veja Agora, indignado com as perseguições que vem sofrendo, Ribamar Teixeira disse que "esse é o jeito de saber quem ficou com o dinheiro desviado".