Debaixo de um sol escaldante, sem proteção contra doenças e em meio a muita sujeira, seis famílias retiram do lixo o mínimo para sua sobrevivência. O lixão no Sá Viana é o ganha-pão de, provavelmente, 20 pessoas e chama atenção pelas casinhas que os catadores construíram para guardar os materiais separados e muitas pessoas julgam ser suas moradias.
O lixão, que cresce ao lado da Universidade Federal do Maranhão, não recebe a coleta das duas empresas contratadas para limpar a cidade. "Aqui era um buraco", disse Francisco das Chagas Silva, pescador, que depois de quase morrer no mar, decidiu largar a profissão e procurar outro emprego. Sem saída, um dia passou pelo local e começou a recolher tudo o que poderia ser vendido. Hoje, ele e a família passam o dia todo no lixão. E já acontece há quatro anos.
Apesar da situação do local, para se alimentar durante o dia, cada qual traz sua refeição. No meio do quadro infecto, eles têm apenas uma fossa d'água para lavar seus utensílios e tomar banho. Quase todo dia eles recebem ovos impróprios para consumo, de uma empresa que revende o produto, mas mesmo assim se alimentam deles.
Do lixo deixado no local eles aproveitam papelão, plástico, madeira e latinhas de ferro - as de alumínio e cobre, as mais rentáveis, raramente são encontradas, porque são recolhidas no local onde são consumidos seus produtos. O produto catado é vendido para depósitos, padarias e firmas de sucata que pagam de dez a quarenta centavos pelo quilo do material, dependendo do material e da condição deste.
Filhos ajudam
Eles reclamam porque no Estado não tem um programa de reciclagem que possa valorizar o trabalho deles. "Não temos apoio de ninguém. Vivemos praticamente escondidos", disse Maria Luzia da Silva. Com problemas na escola, Maria Luzia a leva a filha de 17 anos para ajudar, mas garante que no próximo ano a menina vai estudar: "Eu queria que ela aprendesse a valorizar o dinheiro e ver como é difícil para se conseguir", explicou.
Lucas Moreira cata lixo há 2 anos. Antes, ele vendia frutas e mudou para o lixão porque as vendas eram poucas e recolhendo lixo ele ganha mais, "não chega a um salário, mas dá para viver", resume.
Todos se dizem cansados e desanimaram com a situação em que vivem. E exigem sua inclusão na sociedade em que vivem. "Esse exemplo é a prova da falta de emprego que se alastra por todo país. Vivemos aqui para não aparecer no Bandeira 2 amanhã," diz, referindo-se a um programa policial da TV local.