O caos enfrentado diariamente por motoristas que precisam transitar nas ruas estreitas do Centro da cidade, muitas vezes agravado por carros estacionados dos dois lados da rua, torna-se pior diante das dificuldades enfrentadas pelos que precisam estacionar.
Além da despesa representada pelos estacionamentos rotativos administrados pela Prefeitura e pelos quais os motoristas são obrigados a pagar, condutores de veículos se deparam constantemente com o problema das vagas “reservadas” através de latas, cadeiras, cavaletes improvisados e outros objetos que guardam o espaço.
Além de enfrentar a fúria dos “flanelinhas” que chegam a ameaçar os proprietários de veículos que ousam tentar estacionar nas vagas reservadas a seus “clientes”, o motoristas é confrontado com outras irregularidades, como é o caso de moradores que querem garantir estacionamento em frente às suas casas e de empresas particulares e órgãos públicos que funcionam no Centro.
Reservadas
É o caso, por exemplo, de três vagas mantidas sob reserva por flanelinhas, na Rua Santa Rita com latas de tinta e pedaços de madeira. No local, um rapaz que se disse funcionário da Prefeitura alegou que colocou os objetos guardando o lugar para um caminhão que iria levar alguns objetos para um prédio na esquina da Rua do Sol. Segundo o rapaz, no local irá funcionar uma fundação municipal.
Em um ponto privatizado, alguns tijolos “reservam” uma vaga em frente a um laboratório. Mais adiante, em frente a um casarão da Rua da Cruz, são duas cadeiras servem de guarda para reservar outra vaga vaga. Alguns passos depois é um cavalete improvisado que fica no lugar onde um flanelinha “vigia” a área.
A situação se repete diariamente em ruas de grande movimento de veículos inclusive. Nessas ruas trafegam, inclusive, os carros de controle de tráfego da Secretaria Municipal de Transportes Urbanos - Semtur –, órgão municipal responsável pela disciplina do trânsito. Mas os agentes de trânsito não parecem ver.
Enquanto isso, motoristas e proprietários de imóveis no Centro da cidade reclamam. Moradora da Rua Santa Rita, Clélia Regina Barros, 40, diz que o problema é sério. A mãe dela tem carro, mas não pode estacionar na rua onde mora “por causa desse negócio azul” (o parquímetro, que cobra o tempo de estacionamento dos veículos).
Até três cobranças
Mas o parquímetro - que em tese serviria para disciplinar o estacionamento de veículos em algumas ruas -, parece ter criado apenas transtornos (e despesas) não apenas para proprietários de veículos que moram no Centro, como também para os que trabalham na área e precisam estacionar.
Sócio-proprietário de uma agência de turismo, localizada na Praça Pedro II, Daniel Contente, 28, reclama. Desde 1996 trabalhando no Centro, o rapaz afirma que depois da criação dos estacionamentos rotativos ficou pior. “Estamos sendo cobrados duas e até três por dia para deixar nossos carros aqui”. Quem trabalha nesta área é obrigado a comprar o “botton” com créditos de estacionamento que custa 5 reais. Gasta o equivalente a 50 reais de crédito por mês. “De vez em quando o cara da zona azul ainda cobra um trocado, e o flanelinha também exige sua parte”, denuncia. E completa: “Essa zona azul é uma loucura. Muita gente reclama”.
Na área é comum a presença de flanelinhas, apesar dos parquímetros instalados. José Ribamar Pereira é um deles. Um dos mais antigos flanelinhas da Praça Pedro II, onde trabalha há 30 anos, explica a “parceria”. Diz que o pagamento do estacionamento rotativo é dividido entre eles e o fiscal. Segundo ele, são os flanelinhas os responsáveis pela segurança dos carros.