Vadiar: verbo intransitivo
1. andar à toa, passear de um lado para outro; vaguear (Houaiss)
José Reinaldo e Alexandra Tavares, governador de direito e mandatária de fato do que entendem ser a sua capitania, vivem viajando. Cancun, Miami, Rio de Janeiro, São Paulo, Montreal, Brasília, Caldas Novas e, eventualmente, Barreirinhas. Divertem-se, fazem compras, submetem-se a cirurgias plásticas, reconciliam-se de crises conjugais, tramam contra seus adversários.
Quando se zanga ou precisa deixar o Palácio dos Leões para desratização, a primeira-dama não vai para a segunda casa do governo, no São Marcos, ou mesmo para a sua casa particular em São Luís (onde fica?), a primeira-dama refugia-se em Brasília.
Ao voltar ao Maranhão, os vadios são os outros.
Atemorizado porque poderá ter a qualquer momento a Polícia Federal lhe batendo às portas por causa da exorbitância paga por livros didáticos, utilizando recursos federais oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, do Ministério da Educação, o casal palaciano resolveu reagir ao que chama de ataques dos adversários. E eis que José Reinaldo apela, chuta o balde e resvala na ignorância, utilizando adjetivos e fazendo afirmações improváveis contra pessoas que ele julga serem seus piores inimigos.
Grave, porém, é que ele, no afã de atingir a senadora Roseana Sarney, por exemplo, ataca outros tantos, que nada lhe fizeram e que, na verdade, como de resto toda a população, são vítimas de seu desgoverno e desinteresse pelas coisas do Maranhão. Que juízo faz o governador dos artistas, brincantes, cantores e participantes de grupos de bumba-meu-boi? O que queria ele dizer ao afirmar em entrevistas numa rádio mantida pelo Poder Público - a Timbiras - e num programa de televisão idem, que não passam de vadiagem o Vale Festejar (que teve este ano sua terceira edição realizada no Convento das Mercês), o programa Caixa de Surpresas (que a Caixa Econômica Federal promove em vários estados) e o Festival de Reggae (um dos eventos dessa categoria mais elogiados do Brasil)?
José Reinaldo se incomoda quando os jornais - os que não se amilham - tratam de seus dissabores conjugais. Reclama quando denunciam irregularidades em seu governo, e prefere apontar erros do passado para justificar falcatruas do presente, que ocorrem a metros de seu gabinete e são tramados em círculos íntimos. Não consegue explicar o escândalo dos livros didáticos; não esclarece nada sobre as estradas fantasmas; não se manifesta sobre o estranho convênio de R$ 5 milhões, assinado com fundação criada por secretários seus. Faz de conta que não deve satisfação a ninguém quando se descobre que ele gasta mais de US$ 35 milhões de dólares com propaganda e com aluguel de jatinhos.
Prefere viajar. Passear de um lado para outro.