Governador dificilmente escapa de investigação da Polícia Federal
Nunca se viu desculpa tão esfarrapada para um escândalo, como a que deu o governador José Reinaldo na entrevista montada para tentar explicar a compra de milhares de livros, sem licitação e com preços exorbitantes. Além de não ter convencido, Reinaldo extrapolou, deixou de lado o decoro e a compostura do cargo e deitou falação contra os adversários políticos, principalmente a senadora Roseana Sarney, cujo governo - mais de três anos depois - chega a cerca de 70% de aprovação, enquanto José Reinaldo tem esse mesmo percentual de rejeição, segundo as últimas pesquisas.
Em nenhum momento José Reinaldo conseguiu dizer por que comprou livros didáticos com valores muito acima da média de mercado e dos preços sugeridos pelo Ministério da Educação. Nem explicou porque escolheu quatro editoras desconhecidas espalhadas por quatro estados diferentes, deixando de lado empresas mais conhecidas e respeitadas do mercado editorial como a FTD, Scipione, Ática e Brasil. O que o governador não conseguiu foi desmentir com convicção que as demissões das amigas de Alexandra, responsáveis pela montagem do esquema do livro didático, tenham ocorrido porque o próprio José Reinaldo passou a temer a investigação da Polícia Federal no caso, já que a aquisição foi feita com dinheiro do Governo Federal.
Escriba não defende
Como era de se esperar a entrevista “coletiva” do governador era apenas um pretexto para que os jornais que lhe dão proteção publicassem com estardalhaço a defesa do governador e da mulher Alexandra Miguel. Mas, somente Marcos Nogueira, assessor de Alexandra, pago pelo Governo do Estado, em sua pretensiosa coluna Profissão Repórter publicada em O Imparcial, comprou a tese reinaldista com a ênfase que o grupo palaciano queria. Nem o Jornal Pequeno embarcou nessa e colocou apenas uma notinha, tentando dizer que a denúncia do escândalo foi feita por quem não quer que os estudantes da escola pública tenham livros caros.
Como o Jornal Pequeno preferiu ficar com a piada, coube a um Nogueira apaixonado rebater o Veja Agora, o primeiro a denunciar o escândalo. Apesar de todo esforço, ele não lista um único argumento definitivo que rebatesse a denúncia. O escriba palaciano usou duas páginas do jornal de Chateubriand com cópias de documentos e pelo menos um deles é um primor de descaramento: uma tabela em que ele compara o preço de apenas um dos livros, comprado para o 3º ano do ensino médio, com os preços de livros de escolas particulares.
Bem pago, Nogueira partiu para a falácia: quer convencer que José Reinaldo comprou livro didático superfaturado para prestigiar o estudante da escola pública. Fica a pergunta, o que dizem Reinaldo e seus jornalistas orientados dos preços de livros do EJA (programa de educação de jovens e adultos)? Teve livro que saiu a R$ 128,72 a unidade.