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Os últimos jograis

Fonte: Edição 09
Data de Publicação: 4 de agosto de 2005
 
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Por: Régis Marques

O deputado José Dirceu depôs ontem como testemunha no processo que o PL move contra o deputado Roberto Jefferson no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Para quem esperava um homem acuado pelas acusações de comandar uma máfia que operava mensalões e compra de votos de dentro do Palácio dos Leões se enganou redondamente. Dirceu foi sóbrio, manteve a serenidade quase o tempo todo e mostrou, sem meias palavras, que Roberto Jefferson é mentiroso e um ator de pastelão.

Aliás, se o ex-todo-poderoso chefe da Casa Civil de Lula prestou um último grande serviço à nação foi exatamente esse: demolir o mito que a parte da imprensa e os tucanos criaram em torno de um homem que sempre teve um comportamento que, mais que agredindo a ética, fez dele um histrião, um pândego, um jogral medieval.

O Brasil não está descobrindo o esquema de Marcos Valério e Delúbio Soares porque Jefferson, líder da tropa de choque do corrupto Collor virou, de repente, a Virgem de Guadalupe. Mas, porque, o hoje testa de ferro dos interesses tucanos teve seus interesses contrariados, viu sua influência sobre boa parte da base governista desaparecer depois da meteórica ascensão de Severino Cavalcante. O presidente da Câmara, esperto e oportunista, ocupou os espaços que antes eram ocupados por Roberto Jefferson.

Desesperado, Jefferson jogou uma última cartada para chantagear o presidente Lula e voltar a obter as benesses que sempre o colocaram à frente de todas as frentes de apoio a quem estava no poder nas últimas duas décadas. A revelação do esquema petista, se salutar porque tem a importância de revelar os sempre sórdidos bastidores da política brasileira, desmascara também - e de forma definitiva - aquele a quem alimentaram a vaidade, cobriram de uma falsa aura de autoridade moral, mas que nem percebia que outrem lhes manejavam os cordéis que o mantinha suspenso sobre o mar de lama.

José Dirceu resolveu decidiu que era melhor enfrentar a fera onde ela se julgava mais forte a capitular ante o deboche, a encenação grotesca, a vulgaridade, as piadas deselegantes de um homem que não pode deixar de representar porque fenece, assim como a última rama que nasce na lama do mangue, dela se alimenta e ali mesmo morre sem jamais ter visto a luz do sol.

Roberto Jefferson julga agora ter prestado um grande serviço a seu país. Ele acredita que sairá impune dessa sujeira toda e que será governador do Rio de Janeiro - mesmo depois de ter confessado ter embolsado quatro milhões de reais do PT.

O destino que se oferece ao "venerável" Jefferson é o mesmo que se afigura aos valérios, silvinhos, pedro paulos, delúbios, genoínos, dirceus e tantos outros que jogaram o Brasil nessa tragicomédia onde os atores são, na verdade, jograis desprovidos de talento. Que ele não se iluda, seu caminho é o degredo, o isolamento e a cassação.

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