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Repercussão do escândalo não altera confiança no BMG e Rural

Fonte: Edição 09
Data de Publicação: 4 de agosto de 2005
 
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Nomes recorrentes no escândalo do mensalão, onde são citados como agentes responsáveis pelo acolhimento das contas através das quais o publicitário Marcos Valério comprava apoio para o Governo Lula e pagava políticos com recursos de origem duvidosa, o BMG e Banco Rural são hoje alvos da desconfiança de investidores. Mas há controversas opiniões por parte de clientes e correntistas.

Para Valmir Corrêa, correntista do Banco Rural desde 1986, “o problema não é do banco, mas dos clientes que o usaram para praticar atos lesivos à Nação. O banco fez o papel dele”, diz, referindo-se ao envolvimento da instituição no escândalo do mensalão. A mesma coisa pensa Charles Costa, 32, cliente do banco. O fato do nome do Banco Rural ser citado no escândalo não abalou a confiança dele na instituição. “Se saiu dinheiro é porque alguém autorizou. Não iam dar de graça. Qualquer outro banco faria do mesmo jeito. O banco sobrevive disso, de captar recursos”.

Marcos Brito, de 33 anos e também cliente do Banco Rural acha que a instituição foi só um “bode expiatório” no escândalo. “Meus netos ainda vão ver muito esse tipo de coisa na TV”, declara.

Descrédito

Na Rua Grande, onde funciona uma agência do BMG, o outro banco citado no caso do mensalão, o movimento também pequeno. A corretora Tânia Castro, 28, que trabalha para a instituição não crê que a sua instituição perca clientes. Segundo a corretora, que atua no setor de empréstimos, os clientes nunca reclamaram do banco. “A credibilidade não foi abalada”, garante.

Não é o que pensa Paulo Salaia, funcionário público. Ele acha o caso um absurdo. “Os bancos deveriam valorizar áreas como saúde, educação e cultura e não apoiar políticos corruptos. A gente espera ter mais confiança em relação os bancos onde vamos investir nosso dinheiro. Agora, fico preocupado com o que eles estão fazendo esse dinheiro”, lamenta.

O funcionário público Ribamar Coelho pensa que “na questão dos bancos, das instituições financeiras, é o governo que manda através dos políticos. Isso que acontece com o Rural e do BMG vem de há muito tempo. Não somente eles, mas também com outros. Se formos apurar, outras instituições também estão envolvidas nessa corrupção”.

A doméstica Ana Maria Almeida também desacreditada nos bancos. “Depois dessa confusão toda que houve, fica difícil para o cidadão comum acreditar e investir suas economias nesses bancos marcados por sucessivos escândalos”. Josenildo Matos concorda. O vendedor ambulante diz que a confiança dele nos bancos ficou muito abalada depois do escândalo e que não colocaria o dinheiro dele num banco desses. “Nunca. Jamais. Não tem retorno”, sentencia.

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