Viver no Jardim Tropical é quase uma saga. Um dos maiores núcleos populacionais da região da Cidade Operária, o bairro é a síntese do quadro de abandono a que está relegada a cidade. A presença dos chefes dos executivos do município e do Estado se resume a velhos cartazes políticos que resistem aqui e ali nas paredes das casas humildes da comunidade. Ao contrário, a ausência deles é identificada por toda parte.
Falta ao bairro saneamento, asfaltamento das ruas, hospitais de emergência e urgência, escolas e, principalmente, segurança. O Jardim Tropical é uma região sem lei. Graça Garcês Verde, 33 anos e há cinco morando no local, assalto lá é rotina: "acontece de cinco em cinco minutos. Amanhece o dia tem dois ou três mortos aqui", diz, com evidente exagero. Mas atesta: "É raro o dia em que não tem um morto", diz.
Segundo a moradora, as ocorrências do bairro são atendidas pela Delegacia da Cidade Operária. "Quando a polícia chega, o bandido já foi. O carro da funerária já passou aqui hoje. Quase todo dia tem rabecão do IML aqui".
Segurança frágil
Alguns moradores pagam do próprio bolso a segurança que precisam. Vigias são contratados para fazer a ronda nas ruas. Armados apenas com facão, os vigias são presas fáceis dos bandidos e já foram postos a correr por bandidos que portavam arma de fogo. "Levaram bicicletas deles, levaram tudo. Só não os mataram porque não reagiram".
No último dia 25 o Jardim Tropical acordou assustado com o excesso de violência. Nas ruas, quatro mortos. O susto provocou uma reação e a comunidade se mobiliza para fazer um abaixo-assinado pedindo a instalação de um posto policial para o bairro.
Quem também reclama da violência é a comerciante Maria das Graças Reis, 55 anos, há 6 meses proprietária de um ponto comercial na Avenida Paraíso. A comerciante conta que quando mudou para o lugar ainda tinha marca de sangue na parede. Só depois foi saber que no local haviam matado um homem.
Sérgio Reis, filho de dona Graça vai mais longe e decreta: "depois da meia-noite vacilou, dançou. Às sete horas as pessoas fecham suas lojas. Polícia, aqui, só dá uma voltinha e desaparece". Ele desacredita na ação do estado: "uma vez botaram uma guarita policial na rua. Depois de 15 dias, os PM's foram embora. Acho que a polícia ficou com medo das gangues que infestam o bairro".
Sem esgoto
Além da insegurança, os moradores têm que conviver também com a falta de estrutura do Jardim São Cristóvão. Muitas ruas não têm asfalto. As águas empoçadas nas imensas crateras que seccionam as ruas denunciam a falta de esgoto, outro problema grave verificado no lugar. Nair Pereira dos Santos, a Mãezinha, moradora do bairro desde 1989 e têm uma pequena banca de bombons na Avenida Parais diz que, ao contrário do que o nome sugere, o bairro é um lugar que mais parece uma parte do inferno. "Lá em cima é pior", diz, em referência à parte mais distante do bairro, onde a falta de ações do prefeito Tadeu palácio e do governador José Reinaldo é mais evidente.
O atendimento médico é outro problema para a comunidade. D. Nair diz que no posto de saúde do Jardim Tropical não existe atendimento de emergência. O posto só funciona de dia e durante a semana. "Quem precisa de emergência tem que ir ao Socorrão II ou ao PAM da Cidade Operária".