Embora o Governo do Estado tenha gasto mais R$ 19,5 milhões na compra de livros, com indícios de superfaturamento – alguns livros didáticos chegam ao estonteante preço de R$ 128,00 - muitas bibliotecas como as do Farol da Educação ainda não foram atendidas com a ampliação do acervo. Um exemplo é o Farol do Anjo da Guarda onde, segundo usuários, o número de livros é muito pequeno e os que existem são velhos. Em várias cidades do interior do Estado a situação é mais crítica. Em Itapecuru, por exemplo, as obras do Farol foram paralisadas há quase dois anos, prejudicando os estudantes.
Apesar dessa realidade que mostra o descaso do governo José Reinaldo com a educação, o governo, tomado de pânico ante as denúncias de flagrante ilegalidade na compra dos livros, tenta cercear o trabalho da imprensa para ocultar seus desmandos.
Na propaganda do Governo as bibliotecas têm um acervo de dois mil livros, revistas, jornais e jogos pedagógicos, além de televisão, vídeo cassete e computador ligado à internet. Na realidade, “o quadro é muito precário. Não tem livro, nem material para pesquisa”, denunciou a estudante Denise Souza. Nem as bibliotecas localizadas nos bairros nobres, como o Renascença, permitem pesquisa em internet.
Acervo pobre e desconforto
No Anjo da Guarda encontramos o caso mais visível da precariedade dos faróis da Educação. Os estudantes reclamam de quase tudo: “Falta livro, o ar condicionado não funciona e o atendimento é ruim”, disse Rosane Pereira. “Temos dificuldade para achar o que pesquisamos”, concordou Leide Silva. Os usuários do Farol da Educação do Anjo da Guarda não têm conhecimento de que a biblioteca tenha sido selecionada parte do lote de livros adquiridos na compra milionária feita pelo governo. “Os livros estão todos velhos e muito usados”, reclamou Caroline Oliveira.
Na capital existem oito bibliotecas do projeto Farol da Educação para atender aos estudantes da “escola-madrinha” — cada Farol é ligado a uma escola – e, também à comunidade e o espaço é pequeno para atender a todos os freqüentadores. “Só venho à noite, porque durante o dia tem muita gente”, disse Karliane Sousa. A situação piora no período de vestibular: “Fica gente até na rua”, disse Marcos Corrêa.
Apesar das disparidades entre os Faróis, é unânime entre os estudantes a importância deles para a comunidade. Marcos Corrêa terminou o Ensino Médio, vai prestar vestibular e utiliza o farol da Cidade Operária. “É importante, porque é aqui que eu estudo”, ressaltou, no que teve o apoio de James Moraes, que também se prepara para as provas do vestibular, “O farol é bom porque nem todos têm condições de adquirir livros”.
Depois de visitar o farol da Educação da Cidade Operária, Veja Agora procurou outras bibliotecas desse projeto criado no governo Roseana Sarney, e os funcionários haviam recebido determinação expressa de seus superiores para não dar informações. Nas bibliotecas do Anjo da Guarda e Renascença pediram que procurássemos o assessor de Comunicação da Secretaria de Educação, mas não foi possível fazer contato com ele.