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Cirurgia plástica sem corte pode deixar nódulo na pele

Fonte: Edição 09
Data de Publicação: 4 de agosto de 2005
 
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Por: Fernanda Bassette
DA FOLHAPRESS


Realçar a beleza e corrigir pequenas imperfeições na pele e no corpo para melhorar a estética sem precisar fazer cirurgia plástica. Essa é a função da bioplastia, técnica não-cirúrgica de preenchimento da camada mais profunda da pele. Apesar de amplamente difundida, a bioplastia ainda é vista com cautela por especialistas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

O segredo da bioplastia está no produto que é usado para modelar o corpo: trata-se do polimetilmetacrilato (PMMA), que são microesferas dissolvidas em gel que são injetadas na pele do paciente por meio de uma microcânula _espécie de seringa com pontas arredondadas. Não há cortes.

Após ser aplicado no local desejado, o produto é cuidadosamente manipulado pelo especialista para modelar o rosto ou dar volume a alguma parte do corpo, conforme o desejo do paciente.

'O procedimento, aparentemente, parece simples, mas não é. Necessita de cuidados, de exames para avaliar se o paciente pode receber o produto, e também é necessário cautela, especialmente porque o preenchimento é irreversível', diz Osvaldo Saldanha, secretário-geral da SBCP.
A cautela é necessária porque no Brasil não há números oficiais de quantas pessoas já se submeteram ao procedimento, mas há relatos de pessoas que tiveram problemas pós-preenchimento.

Há casos, por exemplo, de formação de nódulos na pele do paciente depois da aplicação. Esses caroços se formam por uma reação do organismo, que entende que o produto é um corpo estranho. O caroço pode aumentar.
Nesses casos, é necessário tratar com antibióticos e com corticóide e, às vezes, realizar remoção cirúrgica, explica o cirurgião Fausto Viterbo, chefe da disciplina de cirurgia plástica da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

Se o produto for mal aplicado e atingir regiões de vasos sangüíneos, o paciente corre o risco de ter embolia e, conseqüentemente, necrose de pele. 'Há risco de o produto entrar em uma artéria oftálmica e obstruí-la. Sabemos de um caso em que a paciente perdeu a visão', alerta Viterbo.

O cirurgião plástico Munir Cury, ex-presidente da SBCP, utiliza a técnica em seu consultório há cerca de três anos e faz uma ressalva a quem pretende utilizá-la: 'O médico precisa ter um aprendizado antes, precisa conhecer profundamente a anatomia humana para evitar esse tipo de erro'.

Os lugares que mais recebem aplicação são as maçãs do rosto, nariz, queixo, lábios, linhas de expressão ao lado da boca, bumbum, peitoral e panturrilha.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1 - QUEM PODE FAZER BIOPLASTIA?


Qualquer pessoa, menos aquelas que têm algum problema sério de saúde. Por isso, depende da avaliação do especialista.

2 - PARA QUAIS CASOS É USADA?

É usada para preenchimento de partes do corpo, em especial nas nádegas e no rosto, para dar mais volume e beleza. Serve, por exemplo, para arrebitar a ponta do nariz ou aumentar as maçãs do rosto.

3 - QUANTO CUSTA O PROCEDIMENTO?

Depende de cada médico e da quantidade de produto que será injetado. Mas, segundo os especialistas, é mais em conta do que a cirurgia plástica convencional.

4 - HÁ RISCOS NA BIOPLASTIA?

Sim, apesar de ainda serem pouco relatados. Podem surgir nódulos na pele da pessoa, que precisam ser retirados com cirurgia. Se mal aplicada, a técnica também pode provocar embolia e, em casos graves, necrose da pele.

Passei por isso

Achei que poderia ser um tumor


Descobri a técnica da bioplastia sozinha, procurando informações sobre medicina estética na internet. Tinha algumas depressões no bumbum e no quadril e pensei em colocar silicone, mas achava muito caro. Durante a minha pesquisa, soube da bioplastia, que é mais em conta e me traria o mesmo resultado. Não pensei duas vezes: comecei a procurar clínicas que trabalhassem com isso.

Li um anúncio no jornal e procurei o médico, que não era cirurgião plástico. Ele me disse que aprendeu a técnica com um amigo. Ele me examinou e disse que eu poderia fazer a aplicação sem problemas.

Fiz quatro aplicações e tive problema na terceira: o médico colocou 100 ml do produto de uma única vez e eu saí de lá passando mal, com tontura e ânsia de vômito. Na quarta aplicação também tive problema. Sangrou demais e ele chegou a me perguntar se eu estava menstruada. Cheguei em casa com a calça toda suja de sangue.

Dias depois meu bumbum ficou roxo e eu senti dois caroços. Fiquei desesperada porque achei que aquilo poderia ser um tumor. Voltei ao consultório e o médico me disse que era apenas uma alergia, que logo sumiria. Mas isso não aconteceu. Meses se passaram e os nódulos continuam aqui.

Tenho a impressão de que eu tive uma embolia, porque houve sangramento e, por conta disso, formou o coágulo.

Gastei R$ 4.200 para melhorar a estética do meu bumbum e agora não sei o que fazer para resolver esse problema.

Aspartame faz mal à saúde?

Em Bolonha, na Itália, dentro de um castelo de 1500, uma respeitada fundação de pesquisas contra o câncer acaba de dar um passo importante. Reabriu as discussões sobre os efeitos do aspartame, um adoçante artificial 200 vezes mais doce que o açúcar.

O adoçante químico, que contém metanol, foi descoberto por acaso, nos anos 60 em um laboratório americano. Hoje, o aspartame está presente em mais de 6 mil produtos. Nos refrigerantes diet, iogurtes, doces, balas, gomas de mascar e em alguns remédios infantis e xaropes.

Duzentas milhões de pessoas no mundo usam aspartame todos os dias. O experimento da fundação Ramazzini começou em 1997 com 1,8 mil ratos.
A pesquisa durou o tempo de vida das cobaias. De dois anos e meio a três anos. Um tempo que equivale a 30, 40 anos, na vida de uma pessoa.

O diretor da Fundação Ramazzini, Morando Sofritti, diz que utilizou o triplo de animais que geralmente são usados em pesquisas como esta.

As cobaias foram divididas em seis grupos que receberam doses diferentes de aspartame misturadas à ração. A primeira e mais irônica constatação: nenhum dos ratos que estava de dieta emagreceu um só grama.

Mesmo os que receberam altas doses de aspartame continuaram com o mesmo peso. A pesquisa indicou um resultado muito mais grave: 20% das fêmeas de um determinado grupo tiveram leucemia. Segundo o cientista, a doença foi confirmada nas necropsias.

A dose de aspartame dada ao grupo de fêmeas que adoeceu foi mais baixa do que a permitida pelas leis americanas e da União Européia. As leis vigentes prevêem que os seres humanos podem consumir diariamente 40 miligramas de aspartame para cada quilo do peso do corpo.

Uma pessoa de 60 quilos poderia consumir 2,4 mil miligramas por dia, quase 10 latas de refrigerante diet. Mas os ratos que morreram de leucemia receberam metade dessa dose por dia. Sofritti diz que as leis terão que ser revistas o mais rápido possível.

Mulheres grávidas que não querem engordar e crianças que chupam balas dietéticas para evitar cáries precisam tomar cuidado, diz o cientista, que recomenda a todos a diminuição das doses diárias de aspartame.
No Brasil os especialistas afirmam que ainda não há motivo para alarme.

"Só baseado nesse estudo, eu não teria essa preocupação imediata não. Dá uma distância grande em relação a você avaliar, dizer que o que aconteceu com os camundongos iria necessariamente acontecer com os humanos", acredita Maria do Socorro Pombo, pesquisadora do Instituto do Câncer do Rio de Janeiro.

Ainda não se sabe por que só as fêmeas tiveram leucemia. Por outro lado, a pesquisa derrubou uma velha suspeita. A de que o aspartame poderia provocar câncer no cérebro. Depois de 30 anos, esses são os primeiros resultados novos sobre o assunto, diz o cientista, que anunciou para agosto a publicação da pesquisa no jornal europeu de oncologia.

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