A política dá muitas voltas e ajuda a escrever histórias curiosas. Em 2002, depois de ter sua candidatura a governador impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral, o ex-deputado Ricardo Murad convenceu o grupo liderado por ele a apoiar o governador José Reinaldo, por considerar que este tinha mais preparo e estofo para governar o Estado do que o ex-prefeito de São Luís Jackson Lago.
A decisão fez com que uma parte do partido protestasse e criasse uma crise interna em que, de um lado um grupo achava que o PSB deveria deixar o governo (Ricardo foi nomeado gerente Metropolitano) e outro que sustentava a manutenção do acordo.
Em abril do ano passado Ricardo Murad deixou a gerência Metropolitana para candidatar-se a prefeito. No fim do ano começaram a explodir as denúncias de corrupção no governo. O escândalo das estradas fantasmas foi assunto de reportagem da revista Veja e do Jornal Nacional. A orientação do grupo de Ricardo Murad e José Antônio Almeida era de que o PSB se mantivesse longe do governo e do mar de irregularidades descobertas no governo comandado por José Reinaldo e Alexandra. Foi quando a situação começou a se inverter.
Com interesse na máquina do Estado, o deputado Ribamar Alves passou a flertar com o governo e se posicionar favorável às ações de José Reinaldo. A partir de março deste ano Ribamar escancarou e passou a ser figurinha carimbada no álbum do Palácio dos Leões. Enquanto brigava com as lideranças que queriam o PSB longe de José Reinaldo, Ribamar negociava cargos e introduziu o partido na chamada Frente de Apoio à Corrupção. No domingo, quando o PSB fez seu congresso estadual, Ribamar Alves selou de vez o pacto com os oportunistas da tal frente.
Para conseguir a foto da capa do Jornal Pequeno e do Imparcial Ribamar Alves seduziu o ex-deputado José Antônio Almeida a fechar um acordo que evitasse o bate-chapa. José Antônio, mesmo diante de números que lhe eram insistentemente apresentados pelos prefeitos do PSB e pelos delegados que queriam elegê-lo presidente, temeu a derrota e sucumbiu. Sozinho, auxiliado apenas por um correligionário – Antônio Carlos Mendes Serrão, acertou uma posição na Executiva e entregou o partido a Ribamar e Jackson, que, automaticamente o repassam a José Reinaldo, cujo governo é o mais rejeitado da história do Maranhão e, certamente, o mais corrupto de todos.
O acordo fechado individualmente por José Antônio, contudo, não encerra a crise dentro do partido. A maioria dos filiados não quer o PSB com José Reinaldo e não aceita seguir Ribamar Alves. Quase todos os prefeitos e vereadores do partido ficaram contra a decisão, embora, de acordo com um prefeito ouvido por Veja Agora, nem tenham sido ouvidos. A expectativa, agora, é que o PSB se enfraqueça com a saída de um grande grupo de líderes de vários municípios. O ex-deputado Ricardo Murad já anunciou que também vai sair, juntamente com a deputada Teresa Murad e outras lideranças. Segundo Murad, a decisão ele já havia tomado, mas não foi concretizada porque José Antônio o convenceu a esperar o congresso. O destino partidário de Ricardo deve ser anunciado no decorrer deste mês.