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Fábrica de Sopa - projeto abandonado revolta moradores

Fonte: Edição 08
Data de Publicação: 2 de agosto de 2005
 
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O prédio onde deveria funcionar uma fábrica de sopa é mais um "elefante branco" em meio à pobreza do local em que foi construído. No São Cristóvão, na entrada do Parque Independência, próximo à Expoema, um grande prédio abandonado denuncia o desperdício de dinheiro público promovido pelo governo de José Reinaldo.

Guardada por um vigia, a construção destoa das casas e estabelecimentos comerciais no entorno da construção. Uma placa pomposa na entrada anuncia o Projeto Sopa Viva, parceria do governo com o Sebrae. "Mais empregos", anuncia a propaganda na placa. O projeto conta ainda com a "estreita parceria" da Secretaria de Solidariedade Humana - de Alexandra Miguel - segundo informa o site do órgão.

A propaganda enganosa do governo informou há um ano que a obra estava "prestes a ser inaugurada e com todo o corpo técnico treinado, a fábrica terá a capacidade de fazer 30 toneladas de sopa por mês". Ainda segundo a propaganda oficial, o diretor do Sebrae, Luis Carlos Barboza, "teria ficado impressionado com o potencial da fábrica de sopa". O descaso do governador José Reinaldo para com a população maranhense, entretanto, é muito maior que a boa vontade do Sebrae. De acordo com o vigia do prédio, João Marcos Mendonça, há um ano trabalhando no lugar, a fábrica nunca funcionou. O vigia informa que as máquinas que serviriam à fabricação da sopa estão instaladas, mas nunca foram sequer ligadas.

Não pagou

A Construtora Presidente, encarregada da construção da fábrica, retomou as chaves do prédio e até mesmo o vigia é impedido de entrar pela porta da frente. A falta de pagamento da obra é o motivo alegado para impedir que os funcionários do governo tenham acesso ao prédio.

A Assessoria de Imprensa do Sebrae informou que a responsabilidade do órgão limitou-se ao treinamento dos moradores e à transferência de tecnologia para a comunidade. E que cabe ao governo do estado dar explicações sobre a falta de pagamento das obras. Veja Agora tentou ouvir a responsável pela obra, mas na lista telefônica não consta o nome de nenhuma empresa com o nome Construtora Presidente. O governo já teria pago uma parcela de R$ 3 milhões à construtora, mas ainda estaria devendo o restante do valor total do projeto cerca de R$ 4,5 milhões.

Dono de um comércio próximo às instalações da fábrica, Joaquim Tinoco Lisboa é outro que não sabe quando o projeto vai funcionar. Só sabe que o lugar "está cheio de mato" e que muitas pessoas estão esperando pelos empregos anunciados. Moradora do bairro há 8 anos, Edileuza da Silva diz que "a fábrica é um desperdício. Antes tinha um depósito que fornecia merenda escolar. Depois inventaram isso e ficou fechado".

Protesto

O presidente da Associação de Moradores da Vila Cascavel, José Policarpo Lopes, revelou que um grupo de moradores está preparando uma manifestação para denunciar o descaso do governador. Para o presidente, o ideal ali era uma escola de 2º grau. Morador do bairro há 10 anos, Policarpo disse que são 1.900 famílias morando em Cascavel e outras 6 mil no São Raimundo. "A demanda de alunos é muito grande. Muita gente fica sem estudar porque não tem condições de pagar passagem.".

Policarpo contou que há alguns meses procurou o coronel Pantoja, coordenador do Programa Fome Zero no Maranhão e, segundo ele, responsável pelo projeto da fábrica de sopa. Pantoja teria dito que a fábrica funcionaria em breve.
Policarpo quis saber então sobre os empregos para a comunidade. "Ele disse que as vagas eram limitadas e seria difícil ter vagas para a comunidade, pois já vinha tudo determinado. O coronel informou que só haveria 25 vagas para cargos administrativos e serviços gerais e que, se sobrassem vagas para a comunidade seriam poucas. No máximo de três a cinco", reclama Policarpo Lopes" Ainda que poucas, essas vagas deveriam ser confirmadas. Mas a preocupação do governador em relação às comunidades carentes é pouca. O que a gente sente do governo é isso. Lamento, mas a realidade é essa", dispara o líder comunitário.

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