Obras de construção de escolas abandonadas nos bairros do São Raimundo e Santa Bárbara provam como a propaganda que a prefeitura faz de compromisso com a educação é falsa.
No bairro do São Raimundo são duas obras, uma de ampliação da Unidade Integrada do São Raimundo, na rua 15 e outra na rua 4 que tinha previsão para 180 dias passou um ano em obras e há mais de dois está abandonada. Desta última, o que ficou pronto — telhado, portais e paredes — parte da madeira e das telhas foi roubada. O vigia Marco Aurélio explica que para evitar isso ele foi recontratado há dois meses pela construtora. “Esse local está servindo apenas para marginal fumar maconha”, disse.
O bairro tem 3.692 casas e apenas duas escolas municipais para atender todo bairro, informou o morador José Antonio Ribeiro Reis, “Tenho um filho sem estudar por falta de vaga na escola”, reclamou. Rildo Almeida, presidente da Associação Beneficente de Pais e Amigos do Conjunto São Raimundo estipula que mais de 300 alunos estão sem estudar e dos 170 que terminaram o Ensino Fundamental, 60% não continuou porque no bairro não existe escola pública de Ensino Médio.
A associação fez um abaixo-assinado e um pedido de indicação na Assembléia Legislativa requerendo que uma escola de Ensino Médio seja construída no prédio do Projeto Sopa Viva, do Governo do Estado e já conseguiram mais de 300 assinaturas.
Segundo o presidente da associação, o secretário de Educação, Moacy Feitosa, foi convidado duas vezes pela comunidade, e chegou a marcar uma reunião para o dia 23 de julho, mas ele não compareceu nem deu explicação.
Na Santa Bárbara, a escola seria um anexo da Unidade Escolar Evandro Bessa e foi abandonada desde o ano passado, informou o morador Nestor Pereira Matos. A construtora responsável levou todo o material inclusive a placa de identificação da obra. O mato tomou conta do local. “Meus filhos estudam na Vila Vitória porque não tem vaga aqui no bairro”, informou Nestor.
Em vários bairros, moradores reclamam de escolas da prefeitura que não ficaram prontas. Em todos os casos a paralisação da obra é explicada por falta de recursos. Segundo Rildo Almeida, que também é Conselheiro do Orçamento Participativo de São Luís, a prefeitura tem 12 obras de construção de colégios paradas pelo mesmo motivo.