Nelson Piquet, marido de Éricka Braga, teria intermediado negociação
Uma empresa de Recife (PE), outra de Uberlândia (MG), outra de São Paulo (SP) e uma quarta de Curitiba (PA) foram as escolhidas para fornecer livros didáticos para a Secretaria Estadual de Educação. Até aí, tudo bem, se os contratos não fossem sem licitação e os valores pagos não fossem escandalosamente superiores aos praticados normalmente pelo mercado. No fim das contas o governo José Reinaldo distribuiu entre as quatro empresas exatos R$ 19.491.409,50. Os contratos foram assinados em abril, junho e julho.
A maior beneficiada foi a Editora Recomeço, de Curitiba (PA), contemplada com dois contratos que somam R$ 14.333.575,50 que seriam destinados à aquisição de 137.511 livros para o programa de Educação de Jovens e Adultos e para alunos matriculados na 3ª série do ensino médio das escolas estaduais. Além da inexigibilidade de licitação, questionável para produtos existentes em profusão no mercado, com centenas de fornecedores, incluindo as maiores editoras de livros didáticos do país, a exemplo da Scipione, da Ática, da FTD e da Brasil, as compras feitas à Recomeço contém um escândalo maior ainda: o preço.
Para saber que os preços foram superestimados, não precisa nem abrir os livros que José Reinaldo diz que comprou. Na Educar Livros e Representação Comercial Ltda o pessoal da Secretaria de Educação comprou 9.240 títulos (livros) para as bibliotecas Farol da Educação. Preço total: R$ 1.189.419,00; preço por unidade: R$ 128,72!!!!!!!! À Editora Acalanto, da distante Uberlândia (MG), o Governo do Estado pagou R$ 1.275.120,00, ou R$ 36,8 por livro. De toda a compra feita esta seria a mais barata. Acontece que nos sites da pernambucana Educar e da mineira Acalanto as duas empresas noticiam que são parceiras e mantém acordo operacional. Ou seja, uma ajuda a outra e as duas ganham dinheiro no Maranhão de José Reinaldo e Alexandra.
Na Editora Recomeço, por cada unidade (a editora não conseguiu entregar nem 1/3) o governo José Reinaldo pagou a estonteante cifra de R$ 104,23 . Os mais caros foram os da 3ª série do ensino médio, cotados em volume único incluindo as disciplinas de matemática, língua portuguesa, química e física. Preço por livro: R$ 120,50. Se fossem desmembradas as matérias, cada livro sairia por mais de R$ 30,00, um valor muito acima do preço regulado pelo Ministério da Educação. O preço médio aceito pelo MEC para livros didáticos não ultrapassa R$ 18,00, o que confere à mercadoria comprada por José Reinaldo um sobrepreços que chegam a 500%.
Uma granja de livros?
A Editora Recomeço, que ficou com 79% dos quase R$ 20 milhões da farra dos livros didáticos, é a mais difícil de encontrar. Não há praticamente qualquer informação sobre ela na internet (nem o Google salva) e no mercado editorial pouca gente conhece a empresa. Uma fonte que pediu para não se identificar afirmou que a Recomeço funciona no endereço de uma granja, nos arredores de Curitiba. Como em casos como este tudo precisa de checagem cuidadosa, Veja Agora está apurando informação chegada à redação dando conta de que a Recomeço teria sido indicada pelo empresário da noite, Nelson Piquet, marido de Éricka Braga, ex-principal assessora da primeira-dama Alexandra Miguel Cruz Tavares.
Da Secretaria de Educação teriam ido a Curitiba, para conhecer a editora e fechar os detalhes do negócio, a secretária adjunta de Suporte ao Sistema Educacional, Elizabeth (Betinha) Cristina Braúna Gago Cordeiro, e a secretária adjunta de Educação Anny Kristen Pires Mendes Gomes. As duas, mais a ex-braço direito de Alexandra, Éricka Braga, e o gestor de Atividades Meio Marialdo Alves, foram demitidos pelo governador José Reinaldo, que teria ficado sabendo que a Polícia Federal está investigando a compra milionária de livros didáticos, já que os recursos são do Ministério da Educação/FNDE.