Agência de publicidade de amigo do assessor e do presidente da AL já teria sido escolhido vencedora
A Assembléia Legislativa suspendeu por tempo indeterminado o anúncio do resultado da licitação nº 001/2005 para a contratação de empresa de prestação de serviços de Comunicação e Marketing, depois da denúncia de que a licitação era um jogo de cartas marcadas para favorecer à Opendoor, agência que pertence ao publicitário Rogério Ferreira, amigo pessoal do assessor de comunicação da Assembléia, jornalista Jorge Vieira. O processo de contratação passou a ser suspeito desde que dois empresários que participavam da concorrência revelaram que a mesma visava beneficiar a empresa Opendoor.
A revelação do esquema foi feita pelo Veja Agora e pelo Diário da Manhã, depois que Jorge Vieira anunciou em alto e bom som que a escolha da agência vencedora seria dele e que “não deixaria que burocratas decidissem algo do qual não entendiam”, numa clara alusão à escolha da proposta do amigo Rogério. A existência do esquema foi levada ao deputado João Evangelista, presidente da Assembléia. Ao ser informado de que um esquema estaria montado para que a Opendoor vença a licitação, Evangelista afirmou que demitiria Jorge Vieira caso a denúncia se confirmasse. Diante disso, Vieira resolveu “sentar” sobre o resultado da licitação e até agora não divulgou o nome do ganhador.
A abertura dos envelopes com as propostas de técnica e de preço – só 4 empresas se habilitaram – estava prevista para o último dia 19, mas a publicação das denúncias inviabilizou o esquema, impedindo que a empresa do amigo do secretário de Comunicação da AL abocanhasse essa importante fatia do mercado de publicidade institucional. Para evitar um escândalo, o presidente João Evangelista, que está aproveitando o recesso parlamentar para fazer campanha nos municípios (o site da Assembléia traz todos dias matérias sobre o périplo do presidente, que toca uma campanha de pré-candidato a governador), optou pela censura e pelo fim da transparência – ninguém fala sobre a licitação, não se sabe ela foi concluída, se foi adiada ou mesmo se foi cancelada. Ética, que ética?
Compensação
A denúncia do esquema provocou um corre-corre nas hostes governistas. Aliado fiel do PDT, que exige seu quinhão para dar sustentação política ao governador José Reinaldo, Rogério Ferreira diz ter sido vítima de um calote em mais de R$ 800 mil aplicado pelo PT . Imediatamente após a revelação do esquema, tratou-se de montar uma saída de honra para o dono da Opendoor. Há dias a imprensa local vem anunciando que, para compensar a perda da conta publicitária da Assembléia, Rogério Ferreira assumiria a pasta da Secretaria de Comunicação do Governo do estado, em substituição à jornalista Flávia Regina, que teria entrado em rota de colisão com a cúpula governista e com setores do PSDB.
Sem a conta da AL, o dono da Opendoor passaria a gerir os gastos com a comunicação do Governo. Um levantamento recente de Veja Agora mostrou que no governo José Reinaldo já foram gastos mais de 30 milhões de dólares só com propaganda, e que vêm aí novos aditivos nos contratos de publicidade, onerando ainda mãos os já combalidos cofres do Tesouro estadual.
A nomeação de Rogério Ferreira é dada como favas contadas e vai servir de um grande consolo para o publicitário que, embora não tenha a chave dos cofres, pode vir a ter a compensação de seu “sacrifício” de forma indireta, na escolha de empresas que prestariam serviços ao Governo do Estado. Para que a nomeação se dê, no entanto, vão esperar a licitação do Governo do Estado, marcada para o dia 5 setembro, dia da raça. Afinal, a Opendoor pode até ganhar essa. É melhor que a da Assembléia.