Apesar de o Ministério Público, estranhamente, não ter incluído - na representação que encaminhou à Justiça -, o governador (autoridade máxima oficial do Estado, a quem caberia autorizar ou cancelar obras e pagamentos) e a primeira-dama (mandatária de fato), os dois as principais pessoas no comitê de gestão fiscal do governo, responsável pela liberação de todos os pagamentos feitos pela administração estadual desde 2003, não deverá ficar fácil a defesa de José Reinaldo e Alexandra no caso das estradas fantasmas e das pontes superfaturadas.
Um dos processos, relativos ao pagamento antecipado feito à Gautama, com recursos da Cide e acima do preço (por pontes não construídas) está no Ministério Público Federal, outro está tramitando na 1ª Vara da Fazenda Pública e refere-se a ação popular impetrada pelo professor Hostílio Caio Pereira da Costa, que pede à Justiça a indisponibilidade de bens do governador, da mulher dele e do cunhado, João Dominici, ex-secretário de Infra-Estrutrura, onde as fraudes das cartas-convites frias eram montadas.
Tirando o corpo fora
Em sua defesa José Reinaldo, Alexandra e João Dominici tentam transferir a culpa pelo esquema das estradas fantasmas para um servidor da Sinfra, o engenheiro José Ribamar Teixeira Santos. Reinaldo tenta convencer a Justiça de que Teixeira, fez tudo sozinho, e ele - que, juntamente com a mulher, Alexandra e o cunhado Dominici, deveria saber de tudo o que passa no governo -, de nada sabia, de nada participou. A alegação do governador remete ao discurso do senador Arthur Virgílio (PSDB) quando afirmou que o presidente Lula, diante das fraudes que ocorreram a poucos metros do seu gabinete, ou era "idiota ou corrupto", preferindo o senador acreditar que Lula fosse idiota. Seria de perguntar que papel José Reinaldo prefere para si. Ou ele pensa que idiota é o povo.
Preste atenção, leitor, na pérola produzida pelos advogados para tentar livrar a cara do governador e jogar a bomba no colo do engenheiro de Teixeira. Na defesa de José Reinaldo ele diz que: "antes da sua realização (do pagamento das estradas fantasmas) foram realizadas as medições, através dos quais os funcionários a quem a lei atribui esta função, atestaram a execução dos serviços descritos nos laudos que dão suporte aos pagamentos questionados pelo autor da ação". E ele, o governador, coitado, só soube disso porque uma ação popular passou a correr contra ele na Justiça.
Piada de mau gosto
Já o cunhado do governador, João Dominici, afastado da Secretaria da Infra-Estrutura por determinação judicial, diz mais, na sua tentativa de se livrar e de livrar o governador e a mulher da culpa pelas fraudes das estradas fantasmas: "Verifica-se então que, se é que existem irregularidades, estas foram praticadas pelo engenheiro José Ribamar Teixeira Santos. O demandado (ele, Dominici) determinava apenas os municípios em quie as obras deveriam ser realizados. Os trechos e os custos eram indicados pelo engenheiro Teixeira".
Aqui o que se lê parece piada de mau gosto. Parece querer fazer crer Dominici, homem de confiança de José Reinaldo, que ele fazia uma espécie de sorteio e premiava um município que deveria "ganhar" uma estrada. Ele não sabia a necessidade e nem onde a estrada deveria ser feita. Imagina-se uma ordem na Sinfra: "Vai lá e acha uma estrada para a Petra fazer, se não tiver, inventa".