Por: Regis Marques
Os advogados Marcos Coutinho Lobo e Erik Janson Vieira Marinho reiteraram ao juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública o pedido de inclusão do governador José Reinaldo e sua mulher, Alexandra Miguel, como réus na ação popular movida pelo professor Hostílio Caio Pereira da Costa no caso das estradas fantasmas. Eles pediram, ainda, a indisponibilidade dos bens e quebra dos sigilos fiscal, bancário e patrimonial de todos os envolvidos.
Os advogados refutam com argumentos sólidos a defesa do governador, que insiste em negar sua participação no esquema de corrupção implantado na Secretaria de Infra-Estrutura, que simulou a recuperação de centenas de estradas vicinais e construção de pontes, às vezes ligando povoados que nem existem.
Na nova ação, os advogados Marcos Lobo e Erick Janson ressaltam que José Reinaldo e Alexandra não contestam nenhum dos argumentos na ação inicial proposta pelo professor Caio, inclusive o de violação dos princípios constitucionais da moralidade, da legalidade e impessoalidade. E mais: não contestam a denúncia de que os réus, em conluio, lesaram o estado e o erário em mais de R$ 5 milhões.
Estranhamente, o Ministério Público, no entanto, não incluiu o governador e a esposa na representação que fez à Justiça. Isso, apesar dos fortes indícios de que José Reinaldo e Alexandra tinham total conhecimento do que ocorria na Sinfra, já que, além dos laços familiares e de amizade com os envolvidos na fraude, governador e primeira-dama sempre fizeram parte do Comitê de Gestão Financeira, única instância com autoridade para autorizar pagamentos no Governo entre 2002 e o final de 2004.
Dominici volta a depor
O ex-secretário de Infra-estrutura João Cândido Dominici, cunhado do governador José Reinaldo, vai ser reinquirido na terça (2/8) pelos promotores de justiça que investigam o escândalo das estradas fantasmas. Considerado peça-chave no esquema que lesou o erário em mais de R$ 5 milhões, Dominici vai depor em sete inquéritos que apuram o pagamento de 103 obras de revestimento primário, na modalidade carta-convite.
João Dominici pode dar os esclarecimentos que o Ministério Público precisa para desvendar de forma definitiva o crime praticado contra o erário. Sua inquirição será precedido pelos depoimentos do demitido secretário-adjunto da Sinfra, Reinaldo Carneiro Bandeira e do engenheiro José Ribamar Teixeira Santos, que confessou que as ordens para a implementação do esquema partiam de Dominici e de Reinaldo Bandeira.