Estratégia para prender deputados inclui R$ 500 mil em emendas para cada um
Quem teve acesso ao relatório elaborado pela Comissão de Orçamento, Finanças e Fiscalização da Assembléia Legislativa com o resultado da análise das emendas dos parlamentares ao Orçamento do Estado, vai se surpreender com a “boa vontade” do relator, deputado Paulo Neto (PTB), que aprovou nada mais nada menos que 246 emendas dos 43 deputados estaduais de todos os partidos.
O relatório aprovado pela comissão traz uma alentada lista de obras e benefícios que os deputados desejam levar para os seus redutos, pensando na campanha de reeleição do ano que vem. Cálculos de especialistas prevêem a utilização de pelo menos R$ 20 milhões se todas as emendas forem incorporadas ao orçamento e o governador José Reinaldo resolver cumprí-lo. Nada mais justo, considerando que o trabalho dos deputados estaduais é mesmo propor obras que beneficiem a população e que é obrigação do governador do Estado determinar a execução não apenas dos serviços objeto das emendas, mas de grandes projetos e obras de infra-estrutura em todo o Estado.
Entretanto, a verdade no caso do Maranhão é mais embaixo. O grande acordo celebrado entre o governador José Reinaldo e os parlamentares que ele cooptou é dar a cada um o equivalente a R$ 500 mil em obras, como forma de garantir que continuem na base governista, dando respaldo ao governo mais incompetente e corrupto de que já se teve história no Maranhão. Esse é o acordo de que se tem conhecimento. No fim das contas, somente as emendas dos deputados reinaldistas é que valerão. Quem estiver na oposição e não concordar com as questionáveis e mal-sucedidas práticas do governo estadual vai ficar de fora.
Dois maranhões
Em outras palavras: para José Reinaldo há dois maranhões: um privilegiado formado pelos municípios que são bases eleitorais de seus aliados e outro onde seus adversários podem ser bem votados, a este, desprezo, pois o que vale é ajudar os amigos e ter impunidade garantidas. Nem que isso custe o dinheiro do povo, que, nesses tempos reinaldista-alexandrinos serve para ser esbanjado pela cúpula palaciana e apaniguados, mas não para melhorar o Maranhão.
Nesses tempos em que o Brasil rejeita e se constrange com as práticas de Delúbio Soares e companhia, que em nome do PT e para favorecer politicamente o presidente Lula, negociaram emendas do Orçamento da União, trocando recursos do Tesouro por votos e apoio no Congresso, o Maranhão assiste à tentativa de José Reinaldo de fazer a mesma coisa. Ao fazer um acordo garantindo R$ 500 mil em emendas orçamentárias a cada deputado que o apóia o governador do estado repete as práticas anti-éticas que o Maranhão e o Brasil condenam.
Dominici, cujo advogado é o mesmo de José Reinaldo e Alexandra e é funcionário da Caema, repete no final de sua defesa: "a escolha dos trechos em que as obras seriam realizadas e a elaboração dos orçamentos eram atribuição do engenheiro José Teixeira Santos". Esta estratégia acertada no Palácio dos Leões beira o risível. Com o intuito de jogar a culpa em uma outra pessoa, Dominici cria um dilema para si e para os seus protetores: ou fez uma confissão de incompetência e leniência ou a assumiu a desídia e a irresponsabilidade administrativa dele e do casal governamental, num indício inequívoco de que essa sujeira não se fez sem a sua conveniência.