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Mais um símbolo do descaso de Tadeu Palácio completa 53 anos


Fonte: Edição 07
Data de Publicação: 31 de julho de 2005
 
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Remanescente da época em que o transporte de passageiros em São Luís era feito principalmente por bondes elétricos - pouquíssimos ônibus circulavam na cidade -, o abrigo da Praça João Lisboa servia de ponto de embarque e desembarque dos usuários, completou ontem, 30, 53 anos.

A deterioração a que chegou o abrigo expõe o estado de abandono a que foi relegado por Tadeu Palácio. Paredes com rachaduras e faltando azulejos, instalações elétricas precárias, infiltrações, falta de policiamento e o piso imundo espelham o que hoje é o antigo ponto de encontro de intelectuais e políticos que iam lanchar ou exercitar o democrático direito de divergir politicamente.

Freqüentado durante o dia por trabalhadores do comércio da região ou transeuntes que param para um lanche rápido, à noite o abrigo é reduto de bêbados e ponto de prostituição.

Sem festa

A lembrança da data foi o mote para muitas reclamações dos comerciantes e freqüentadores do local, inconformados com a situação em que o abrigo se encontra.

Situado no coração cultural da cidade e encravado em pleno centro comercial de São Luís, o abrigo tem sua estrutura abalada pelo tempo e pela falta de cuidados, destoando da beleza de casarões coloniais com fachadas de azulejos que o cercam e contam a história da capital.

Em meio ao vai-e-vem dos poucos fregueses e de baratas que passeiam pelo lugar encontramos Maria Antonia Reis, proprietária de um dos boxes e há 28 anos trabalhando no local. Ela lamenta que "a última reforma ocorrida no abrigo foi feita no tempo em que Ivar Saldanha foi prefeito".

O conjunto de bares inclui dez boxes e quatro banheiros. A limpeza dos banheiros é paga pelos próprios comerciantes que exploram o lugar e só eles podem usar. "Muita gente fica com raiva, mas se os deixarmos abertos ninguém agüenta a sujeira", diz d. Antonia Reis, que conclui: "Hoje é assim - diz, mostrando o aspecto pouco agradável do abrigo -, só goteiras e falta de iluminação. Está abandonado. Segurança não tem. Só muito vagabundo".
Os irmãos Francisco e Luis Carlos da Silva, fazem coro às críticas de d. Antonia. "Aqui precisa de uma reforma geral", diz Francisco, 51, há 33 anos trabalhando no boxe que pertenceu ao pai. Francisco diz que os comerciantes falaram com o prefeito Tadeu Palácio na época da campanha. Segundo ele, o prefeito alegou que não tinha verbas para a reforma.

Só uma luminária está funcionando no local, mas isso não livra os comerciantes da cobrança da taxa de iluminação pública, que é de R$ 12 reais. Os comerciantes também pagam um vigia. "Senão arrombam tudo", diz Francisco.
Outro que reclama da falta de segurança é Raimundo Almeida, 68, taxista, e trabalhando na área desde 1968. "O público se afastou daqui por causa dos safados, dos ladrões. Antes muita gente vinha tomar caldo aqui. Os fregueses da noite se retiraram do abrigo". Segundo o taxista, o abrigo pertence à prefeitura há 25 anos. "A prefeitura não fez nada. Os problemas estão maiores a cada dia".

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