Mais uma promessa de Tadeu Palácio não é cumprida. O camelódromo ou "shopping dos camelôs" é uma idéia antiga, precisamente de 1982, mas o prefeito atual fez questão de afirmar, na sua campanha de reeleição, que resolveria o problema dos camelôs. Como quase todas as promessas de Tadeu, até agora nada. No site da Prefeitura tem uma lista de projetos que supostamente serão implantados na cidade, mas entre eles não existe qualquer ação voltada para o setor do comércio informal.
Para o vendedor ambulante Brasiliano Pereira Filho é tudo falácia. "Cada prefeito vem aqui, faz promessas em época de eleição e a situação persiste ano após ano", reclama, com a sabedoria de quem espera há 23 anos.
Na proposta inicial para a construção do camelódromo, no local seriam abrigados vendedores que possuem bancas nas áreas do São Francisco, Praia Grande, Anel Viário, Praça Deodoro e Avenida Magalhães de Almeida. A prefeitura chegou a demolir o prédio da extinta Cinorte, mas nada foi construído no local. O terreno tornou-se um lixão no centro de São Luís. E Tadeu faz de conta que não é com ele.
Temerosos do isolamento comercial a que seriam submetidos, pois a área não tem grande fluxo de pessoas, os camelôs exigem que o local tenha toda infra-estrutura, como boxes individuais, banheiros, praça de alimentação e casa lotérica, além de segurança: "O prefeito quer fazer mais um cortiço e nos jogar lá dentro", denunciou Benedito Costa da Costa, "Assim, é preferível ficar aqui na rua", concluiu.
Mais camelôs
A cada ano o problema se agrava. Conforme contabiliza o vice-presidente do Centro de Integração Sindical dos Vendedores Ambulantes, José de Ribamar Cardoso, só no centro da cidade existem mais de 700 vendedores e o espaço reservado abrigaria no máximo 400 camelôs. "Seriam necessários mais camelódromos para organizar o comércio no centro", disse. A proposta de Tadeu Palácio, entretanto, é discriminatória e visa apenas beneficiar os empresários de transportes coletivos. "O prefeito quer apenas tirar os camelôs da Magalhães de Almeida para liberar a pista para os microônibus", reclama Cardoso.
Técnicos da Secretaria Municipal de Terras, Habitação e Urbanismo (Semthurb), por diversas vezes, já fizeram cadastros dos ambulantes que atuam na área. O cadastro seria, teoricamente, um importante instrumento para a elaboração do projeto de padronização das barracas, mas nada foi feito além disso. "Uma funcionária da prefeitura já passou quatro vezes cadastrando o mesmo pessoal", confirma Abronilson Costa Araújo.