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Risco de pressão alta em quem ronca chega a dobrar após quatro anos com o problema


Fonte: Edição 07
Data de Publicação: 31 de julho de 2005
 
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Por: Fernanda Bassette
DA FOLHAPRESS


O ronco, causado pela vibração que ocorre quando o ar encontra dificuldades para passar pela garganta ou pelo nariz, leva, em casos agudos, a problemas mais sérios do que somente o ruído.

Aparentemente inofensivo, o ronco pode evoluir para a apnéia do sono (pequenas paradas respiratórias enquanto dormimos) e, em casos mais graves, associar-se a um conjunto de doenças, como hipertensão, obesidade e até mesmo diabetes, elevando o risco de problemas cardiovasculares.

A associação dessas doenças com a apnéia do sono recebe o nome de síndrome metabólica, de acordo com o pneumologista Maurício Bagnato, responsável pelo Laboratório de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.

Segundo Bagnato, a síndrome funciona da seguinte maneira: a pessoa que tem distúrbio do sono pode desenvolver resistência a uma substância chamada leptina. Essa substância, produzida pelo tecido adiposo, é uma das responsáveis pela sensação de saciedade após a alimentação.

Ao desenvolver a resistência, o paciente com apnéia passa a comer mais e pode aumentar a tendência de ficar obeso ou intensificar uma obesidade já existente.
Ao engordar demais e liberar mais adrenalina, o paciente tende também a ficar resistente à insulina e, conseqüentemente, desenvolver diabetes tipo 2, além de alterações lipídicas (de colesterol e do triglicérides).

'Tudo isso junto acaba virando um ciclo. Se não for tratado corretamente e ainda no início, o paciente apnéico pode evoluir para essas outras doenças associadas', afirma Bagnato.

A pneumologista Lia Rita Azeredo Bittencourt, coordenadora do Instituto do Sono da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), também ressalta os riscos de doenças cardíacas em pessoas que roncam demais.

'Há estudos que comprovam que 50% das pessoas que roncam são hipertensas. Em quatro anos, a pessoa que ronca tem mais que o dobro de risco de desenvolver hipertensão do que a pessoa que não ronca', diz a especialista.

Para evitar o problema, o paciente deve passar por um exame chamado polissonografia, que consiste no monitoramento do sono da pessoa durante uma noite inteira para um diagnóstico correto do problema e do tratamento a ser indicado.

Em casos mais simples, a indicação mais comum é o uso de um aparelho intra-oral, moldado artesanalmente, como um aparelho ortodôntico. 'Ele basicamente posiciona a mandíbula do paciente mais para a frente, abrindo espaço para a passagem do ar', explica a dentista do Instituto do Sono Cibele Dal Fabbro.
Um tratamento eficaz é feito com o CPAP. Trata-se de uma máscara que é acoplada ao nariz do paciente durante a noite. Ela projeta o ar, que dilata a faringe, facilitando a respiração.

'Esse aparelho funciona perfeitamente, quase não emite barulho e resolve o problema em praticamente todos os casos', afirma Bagnato. As cirurgias, que antes eram tidas como solução para as pessoas que roncavam demais, hoje são as menos indicadas.

Livro explica conseqüências da insônia

A insônia é uma doença que atinge cerca de 40% da população, segundo o médico Dênis Martinez, autor do livro 'Insônia na Prática Clínica', lançado recentemente pela Artmed Editora. O livro é resultado de 22 anos de estudos de Martinez com pacientes com distúrbios do sono.

PASSEI POR ISSO

Ninguém conseguia dormir ao meu lado


Minha maratona contra o ronco foi uma verdadeira "história' em minha vida. Me casei aos 42 anos, e os problemas começaram a surgir quando eu tinha uns 45 anos. Eu roncava demais. Ninguém conseguia ter uma noite de sono inteira ao meu lado, afinal, ninguém gosta de dormir como se tivesse um Boeing ao lado do ouvido.

Minha mulher não conseguia dormir por causa do ronco e me acordava a noite toda. Ela reclamava de que o barulho era ensurdecedor. Várias vezes ela foi dormir em outro quarto. Em algumas ocasiões, eu mesmo fazia isso para que ela não precisasse sair da cama.

Isso é muito sério no relacionamento de um casal que se ama. As pessoas querem e gostam de dormir juntas, mas isso passou a ser impossível porque o meu ronco era insuportável.

Viajar, por exemplo, era terrível. Minha mulher sempre precisava tomar remédio para conseguir dormir. Teve uma ocasião em que eu levei um susto: acordei e ela não estava no quarto. Fui procurá-la e a encontrei dormindo no banheiro. Só aí é que eu consegui perceber que tinha um problema sério e que isso estava incomodando.

Procurei um otorrinolaringologista, e ele me indicou cirurgia. Mas, antes, fiz uma polissonografia (exame específico para detectar distúrbios do sono) e soube que o aparelho intra-oral resolveria o meu problema. E foi o que realmente aconteceu. Não tenho mais problema nenhum, estou satisfeito e hoje tenho um casamento ainda mais feliz.

A idade do ronco

Antes dos 40

26% Homens
9% Mulheres

Após os 40

36% Homens
26% Mulheres

PERGUNTAS E RESPOSTAS
1 - QUEM RONCA MAIS, O HOMEM OU A MULHER?


A única estatística brasileira existente sobre ronco, publicada em 1995, mostra que, antes dos 40 anos de idade, 26% dos homens e 9% das mulheres roncam. Depois dos 40 anos, o número de mulheres que roncam sobe para 26%, e o número de homens atinge os 36%.

2 - QUAIS SÃO OS FATORES AGRAVANTES PARA O RONCO?

Os principais são amídalas e adenóides muito grandes, desvio de septo, dormir de barriga para cima, queixo projetado para trás, excesso de álcool e medicamentos à base de diazepínicos (pois relaxam a musculatura), além da obesidade, pois a gordura aumenta a obstrução da faringe.

3 - QUANTO CUSTA O APARELHO PARA O TRATAMENTO?

Depende de cada caso. O preço do CPAP, um dos aparelhos de combate à apnéia, varia de US$ 500 (R$ 1.250) a US$ 1.000 (R$ 2.500). O valor do aparelho intra-oral, para casos mais simples, varia de R$ 800 a R$ 2.500.

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