Iluminação deficiente, falta de policiamento ostensivo e a ausência dos poderes públicos. Esses são os ingredientes perfeitos para que a Avenida Litorânea, um dos cartões postais preferidos pelos turistas, transforme-se num cenário de medo, onde a cada dia mais criminosos se misturam a cidadãos comuns para assaltar transeuntes e freqüentadores dos bares e restaurantes da orla de São Luís.
A ousadia dos marginais é estimulada pela certeza da impunidade. Quando a Avenida Litorânea era administrada pela Gerência Metropolitana, na administração de Ricardo Murad, toda aquela área era protegida por fiscais do órgão e pela ação sempre presente da Polícia Militar. Ricardo trocou toda a iluminação da avenida e determinou que viaturas da Metropolitana circulassem 24 horas por dia no local. Ricardo trocou toda a iluminação da avenida e determinou que viaturas da Metropolitana circulasse 24 horas por dias no local. Hoje, com o Estado em situação de falência, a iluminação voltou a ser deficiente e raramente a polícia é vista no local. A falta de combustíveis e de viaturas reduz a repressão ao crime e os freqüentadores das praias são o alvo preferido dos bandidos.
Comerciantes, banhistas, praticantes de cooper, trabalhadores e turistas desdenham da ação da polícia. Veja Agora colheu vários depoimentos na Avenida Litorânea e, em todos eles, uma unanimidade: passear na Litorânea é uma aventura perigosa. Ali, diariamente, são registrados assaltos, arrombamentos e roubos de carros sem que os autores sejam, no mínimo, incomodados por algum policial.
Bandido é reconhecido
"Trabalho aqui há muito tempo e todos os dias ouço relatos de vítimas dos bandidos.Há um advogado, que mora no Barramar, que foi assaltado três vezes", disse Antônio Raimundo Aguiar Lima, o "Tico-Tico", que há sete anos trabalha como flanelinha no local. Ele conta que de tanto presenciar a ação dos marginais já consegue identificar, mesmo à distância, um dos assaltantes. "Ele chega cedo, empurrando uma bicicleta, fica deitado na beira da praia, só esperando alguém para dar o bote. Por aqui todo mundo já o conhece. Ele só é desconhecido para quem não deveria ser, ou seja, da polícia", ironizou o flanelinha.
Diferente do que acontece no restante da cidade, as ações criminosas na Avenida Litorânea raramente acontecem ao cair da tarde ou mesmo à noite. O horário preferido pelos assaltantes é das 6h às 7h30 da manhã, quando as pessoas se deslocam para fazer caminhada, andar de bicicleta no calçadão ou dar um mergulho. À beira da praia ou nos bares, segundo testemunhas, as pessoas também não estão imunes às ações criminosas.
Rosicléia Dantas, 52 anos, que há nove anos mora na Litorânea, diz que a ação dos ladrões é constante. "Hoje, só desço para caminhar depois das 9h, pois, certa vez, estava em companhia de outras duas amigas, às 7h da manhã, e fui abordada por um malandro empunhando um baita facão. Não levaram nada meu, pois não portava nenhum objeto de valor, mas de uma das minhas amigas roubaram as jóias e o celular", disse.
Polícia é raridade
Desanimado com a falta de segurança, o aposentado José Fernandes, 73 anos, também toma suas preocupações. Ele também mora nas proximidades e faz caminhada todo o dia. Entretanto, para não se tornar mais uma vítima, o aposentado José Fernandes sempre caminha depois das 9h da manhã. Ele diz que apesar da extensão da avenida, apenas uma viatura da PM é deslocada para cobrir toda área. "Raramente nos deparamos com um carro da Polícia Militar fazendo ronda por aqui. Isso contribui para a ação dos marginais ", declarou.
A insegurança na Litorânea começa a ficar alarmante, que nem mesmo os vendedores ambulantes escapam da ação dos marginais. O garçom Valter Santos trabalha no bar Brilho da Lua há três anos e conta que certa vez um ambulante conhecido como Antônio José foi surpreendido por uma dupla quando vendia frutas na beira da praia. "Eles golpearam a cabeça dele e roubaram todo o seu dinheiro, em torno de 120 reais", disse o garçom. Trabalhando a menos de 50 metros da área apontada como a mais crítica, ou seja, um morro que fica no final da Litorânea, Valter conta que já nem se surpreende mais com a chegada de vítimas pedindo socorro. "Trabalhamos aqui porque é o jeito. A insegurança é total", finalizou.