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Governo abandona estações de tratamento


Fonte: Edição 06
Data de Publicação: 14 de agosto de 2005
 
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Em 2004, a cidade de São Luís, finalmente, entrou para o clube das cidades brasileiras detentoras de tratamento dos seus resíduos líquidos. Com a inauguração das estações de tratamento do Bacanga e do Jaracaty, grande parte do esgoto sanitário pode deixar de ser lançado in natura nos rios Bacanga e Anil, melhorando, conseqüentemente, as condições ambientais daqueles dois corpos d'água receptores.

Conforme foi amplamente noticiado pela extinta Gerência Metropolitana de São Luís, executora das obras, a Estação do Bacanga tem capacidade para tratar até 300 l/s (litro por segundo), suficiente para atender a 115 mil habitantes, podendo ser ampliada para 150 mil. Essa ETE pode atender o Centro Histórico e toda a área urbana que drena suas águas para os Rios das Bicas e Bacanga, ou seja, até o bairro do Sacavém.

A Estação do Jaracaty tem uma capacidade de 250 l/s, suficiente para atender cerca de 80 mil habitantes. Com ela podem ser atendidas as residências das praias de São Marcos, Calhau e Caolho, além dos bairros do Calhau, Ponta da Areia, Renascença I, Lagoa da Jansen, Renascença I e II e São Francisco.

Essas duas estações fazem parte de um plano maior maturado no governo Roseana Sarney que incluía a construção de mais três unidades de tratamento além de emissários, interceptores, redes coletoras e estações elevatórias que beneficiariam, praticamente, a parte urbanizada da nossa cidade.

A parte concluída foi financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), através do programa PRODETUR, com participação do Governo do Estado do Maranhão. Foi uma excelente aplicação de recursos, considerando a nobreza do objetivo, na busca de melhorar a qualidade de vida da nossa população.

Infelizmente, na prática, tudo permanece como se tais obras não existissem, uma vez que o Governo do Estado, através da CAEMA, não opera as estações, não implementa as medidas necessárias para que os esgotos cheguem até elas e não são conhecidos os projetos e os programas para dar continuidade aos planos recebidos do governo anterior e, muito menos são divulgadas as ações para o desenvolvimento do setor de saneamento básico em nosso estado.

Tudo isso é reflexo das decisões tomadas quanto ao destino da CAEMA, que vem sendo tratada como um órgão de barganha política, sem considerar que aquela empresa é um órgão de saúde pública, onde a gerência técnica não pode ser subestimada, sob pena de observarem-se desgastes visíveis no funcionalismo, com reflexo negativo nos sistemas em operação caracterizado pelo percentual elevado de perdas no serviço de abastecimento de água, na ineficiência da operação do sistema de esgoto sanitário e no inevitável prejuízo financeiro.

Zé Reinaldo ignora

A conseqüência: o povo não tem serviço de tratamento de esgoto, o meio ambiente continua recebendo elevadas e indesejáveis cargas orgânicas e, o que é mais triste, não há perspectiva de mudanças na situação, pelo desinteresse e inércia do governador José Reinaldo que irresponsávelmente não dá a importância devida ao sistema de saneamento, imprescindível para dar qualidade de vida à população de São Luís. As autoridades ambientais precisam agir para exigir do governo o funcionamento das duas estações de tratamento de esgoto.

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